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Jornal da Unesp online

Universidade consolida redes de pesquisa

Publicado em 27 novembro 2009

Aumentar a qualidade, e não a quantidade, é um dos desafios para a pesquisa da Unesp. Esse salto qualitativo poderá ser dado por meio da formação de redes de pesquisadores de diversas unidades, e da aposta em projetos de grande impacto e alcance científico. Essa foi a avaliação da pró-reitora de Pesquisa Maria José Soares Mendes Giannini, durante o evento de encerramento do ciclo Ano da Pesquisa na Unesp, na quarta-feira (25/11). O encontro reuniu cerca de trinta pesquisadores de diferentes unidades da universidade.

A abertura dos trabalhos na parte da tarde contou com a participação de José Arana Varela, diretor da Agência Unesp de Inovação e de José Celso Freire Júnior, responsável pela assessoria de relações externas da Universidade. Também participaram do evento o vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Hernan Chaimovich Guralnik, e o diretor cientifico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Carlos Henrique de Brito Cruz, que proferiram palestras.

"As perguntas que a ciência tem que responder hoje são muito mais complexas. Por isso a pesquisa não pode ser feita por indivíduos sozinhos, isolados em seus laboratórios", disse Maria José. "É melhor publicar um único artigo, feito sob colaboração e com um olhar multidisciplinar, que seja publicado numa revista de grande impacto, do que dez artigos em periódicos de pouca expressão."

Durante o evento, a Pró-Reitoria de Pesquisa distribuiu um folder contendo os nomes e os endereços de e-mail de cerca de oitocentos pesquisadores da universidade. O catálogo apresenta nove grandes áreas de pesquisa e identifica, dentro de cada uma delas, as principais linhas de investigação e os cientistas que estão trabalhando com aquele tema, em alimentos, bioenergia, biotecnologia, energias alternativas, exploração do mar, mudanças climáticas, nanotecnologia, políticas públicas e produtos naturais bioativos.

O catálogo é fruto dos eventos que a pró-reitoria organizou durante o ano para aproximar os professores das diversas unidades, a fim de estimular a pesquisa conjunta. Foram abordados temas como bioenergia (abril), produtos naturais (maio), nanotecnologia (junho), políticas públicas (setembro) e mudanças climáticas (outubro). Cerca de 350 pesquisadores de todas as unidades participaram das reuniões. Também foram organizados encontros para abordar os estudos desenvolvidos nas áreas de exploração do mar, energias alternativas e alimentos e recursos hídricos.

Projeção científica

A palestra de Guralnik deu ênfase às perspectivas para a ciência brasileira. Ele apresentou uma análise de 166 artigos de brasileiros publicados nas revistas Science e Nature de 1990 a 2003. Uma das conclusões é de que o Brasil tem a liderança na pesquisa em temas diretamente relacionados ao país, tais como a doença de Chagas, a pesquisa na Amazônia ou a produção de Açúcar. "Nossa ambição deve ser a de alcançar esse domínio em áreas mais gerais de pesquisa, tais como o estudo da ecologia", disse.

A palestra de Brito Cruz apresentou um quadro da pesquisa acadêmica feita no estado de São Paulo. Os números mostraram que em 2008 a Unesp foi a segunda universidade estadual a formar mais doutores -765-, atrás apenas da USP. Esse ritmo de formação de recursos humanos, é, porém, insuficiente para assegurar uma maior projeção do país na área cientifica. "Se quisermos competir com a Espanha, que publica quatro vezes mais artigos científicos, temos que triplicar o número de pesquisadores nos próximos vinte anos."

A pró-reitora Maria José anunciou para 2010 o projeto Ano Internacional da Pesquisa na Unesp. Uma das iniciativas planejadas é trazer ganhadores de Prêmio Nobel para dar conferências e workshops. Outra é atrair para os quadros da universidade jovens pesquisadores que estejam retornando de doutorados concluídos fora do Brasil. "Isso não quer dizer que nós demos mais valor ao que é feito lá fora. Aqui na Unesp temos laboratórios de nível internacional. O que ocorre é que muitas vezes os professores daqui tem que se alternar entre várias tarefas. Trazer um jovem pesquisador pode ajudar a alavancar uma linha de pesquisa que ainda esteja incipiente e possibilitar o contato com o que de mais moderno está sendo feito", diz ela.