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Vale Paraibano

Unitau lança ensino a distância em 2008

Publicado em 29 junho 2008

Por Marcelo Pedroso

Maria Lucila Junqueira Barbosa completa em 3 de julho dois anos no comando da Unitau (Universidade de Taubaté) com o desafio de consolidar uma 'ponta de lança' ao norte do país, em Belém (PA), um dos cinco pólos de ensino a distância que devem ser implantados ainda em 2008.

Para isto, investimentos em tecnologia e infra-estrutura são prioritários, assim como a captação de recursos da iniciativa privada, suporte para sustentar as ações de uma instituição que soma hoje 13 mil alunos.

Por outro lado, estes dois anos ainda não foram suficientes à implantação de um plano de carreira aos 1.500 funcionários da Unitau. Mesmo reduzida, a inadimplência nas mensalidades está hoje entre 20% e 25%, enquanto que a promessa de um novo Hospital Universitário parou na inviabilidade econômica.

Em entrevista ao valeparaibano Lucila fala sobre o lançamento do curso a distância, as eleições para prefeito em Taubaté e as metas estabelecidas em sua administração.

Leia abaixo os principais trechos.

valeparaibano - Como está a concorrência entre as universidades?

Maria Lucila Junqueira Barbosa - Lucila - Existe uma concorrência feroz, não apenas aqui em Taubaté, mas no Vale do Paraíba. Estamos vendo a chegada de universidades e escolas de várias regiões do Brasil oferecendo cursos. Tem universidades do Mato Grosso do Sul e do Paraná oferecendo cursos a distância.

vp - Como combater isso?

Lucila - Buscamos o credenciamento da Unitau para o ensino a distância. Foram cinco pólos aprovados pelo MEC (Ministério da Educação). Temos um pólo em Belém do Pará, um em Taubaté, outro em Ubatuba, um em Mogi Guaçu e mais um em São José dos Campos. Em agosto terá uma reunião do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para credenciar a universidade.

vp - Quando esses cursos entram em funcionamento?

Lucila - Saindo o credenciamento, vamos oferecer esses cursos em 2008. Temos o projeto pedagógico pronto e o mais difícil foi feito, que é a aprovação dos pólos.

vp - Quais cursos serão oferecidos?

Lucila - Em um primeiro momento, o curso de pedagogia e, a partir do credenciamento, vamos oferecer todas as licenciaturas, o que vai ao encontro que o governo federal está querendo, capacitar professores da educação básica. É esse lado que vamos trabalhar.

vp - A demanda é grande?

Lucila - É enorme. Tínhamos a intenção de vender o campus de Ubatuba. Hoje não pensamos mais nisso. Revitalizaremos o campus em uma parceria com a prefeitura e vamos oferecer cursos de especialização. Assino hoje (sexta-feira) um convênio para isto. Essa parceria será muito bem vinda.

vp - Quantos alunos vocês pretendem atingir?

Lucila - A curto prazo, se sair o credenciamento este ano, vamos colocar 1.200 alunos. A meta é para 10 mil alunos em três anos.

vp - Quanto custará o curso?

Lucila - A mensalidade sairá ao redor de R$ 250 e, com bolsas das prefeituras, os alunos vão desembolsar cerca de 50% do valor, dependendo de cada convênio.

vp - O ensino a distância vai permitir a captação de outras fontes de recursos?

Lucila - As gestões anteriores não tinham procurado buscar recursos junto ao governo federal. Existem recursos infindáveis que podem ser buscados. Estive semana passada com o ministro [Fernando] Hadad [da Educação], em Brasília. Ele disse para as universidades estaduais e municipais que estavam lá que o recurso existe e nós é que não estamos sabendo buscá-lo.

vp - É difícil para uma autarquia municipal conseguir sistematizar essa captação de recursos?

Lucila - É um trabalho a curto, médio e longo prazo, mas a universidade nunca fez isso. Uma reivindicação feita ao ministro foi a de que as universidades estaduais e municipais possam entrar nesses editais que saem e só beneficiam as federais. Em função disso, o MEC vai fazer um painel com todos os pró-reitores das universidades estaduais e municipais, mostrando quais são os programas disponíveis.

vp - Uma de suas metas não atingidas foi a de construção de um novo Hospital Universitário. Por que isso não aconteceu?

Lucila - Esse era o meu sonho e o compromisso que assumi durante a minha campanha à reitoria. Uma coisa é você assumir um compromisso e outra é topar com a realidade. Quando assumimos, topamos com uma coisa que desconhecíamos, que era uma dívida da universidade com o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), em trâmite no judiciário federal. E qual foi a nossa surpresa ao saber que essa dívida era na ordem de R$ 15 milhões.

vp - Esta dívida inviabilizou o investimento?

Lucila - Só para a construção de um novo Hospital Universitário, sem a parte de equipamentos e material, iríamos gastar R$ 30 milhões. Chegamos à conclusão de que seria inviável comprometer o patrimônio da universidade. Resolvemos investir, com a ajuda do governo do Estado, na reestruturação do atual hospital.

vp - Qual é a situação econômica do HU?

Lucila - Logo que assumimos, os fornecedores não queriam atender o Hospital Universitário por causa das dívidas que tínhamos. Ninguém queria vender mais a prazo. A gente tinha que comprar tudo à vista. Gastávamos muito mais do que o necessário. Fazíamos licitações e elas davam "desertas". Mudamos a administração do hospital e hoje temos fornecedores que entram na licitação. Tínhamos uma dívida com os fornecedores na ordem de R$ 3,5 milhões e hoje conseguimos equacioná-la para R$ 2 milhões. Vários acordos foram refeitos, inclusive com o parcelamento dessa dívida em 50 meses. Resgatou-se a confiabilidade do mercado.

vp - O combate à inadimplência também foi uma de suas prioridades. Ainda existem muitos alunos devedores?

Lucila - Quando assumimos, a inadimplência era na ordem de 50%. Fomos fazendo ações como a renegociação da dívida com os alunos, a redução das mensalidades, os convênios com prefeituras, sindicatos e empresas. Concedemos bolsas pontualidade, que também fizeram com que tivéssemos uma redução na inadimplência. Baixamos para 35% em 2007 e chegamos a ter um índice de 8%. Hoje, nós estamos variando de 20% a 25%, está bem abaixo do que tínhamos anteriormente.

vp - Mas não é um número muito confortável.

Lucila - Não, mas está dentro dos parâmetros das outras instituições que estão no mercado. Pretendemos aumentar essa renegociação de dívidas e ampliar o número de convênios com as outras instituições, porque acreditamos que é assim que pode funcionar a diminuição da inadimplência.

vp - O que foi feito pelos funcionários?

Lucila - Conseguimos muitos benefícios, como a bolsa de 100% para eles estudarem. Isso representa, praticamente, um aumento salarial indireto de mais de 50% para alguns servidores. De uma forma ou de outra eles estão sendo recompensados. É só a medicina que não pode conceder uma bolsa de 100%. Os dependentes pagam bolsa de 50%. Os servidores que moram aqui em Taubaté, com uma faixa salarial menor, têm o vale-transporte.

vp - E o que falta?

Lucila - O plano de carreira dos funcionários, porque é extremamente demorado e complexo. Espero que consiga fazer isso até o final do ano. Outra questão é a salarial. Temos um aumento vegetativo na folha de pagamento de 2% ao ano em função dos anuênios que os servidores recebem. Isso representa muito. Estamos hoje com 1.500 servidores. Temos que ter muito cuidado ao dar o aumento do salário dos servidores para que não haja um comprometimento da universidade. Outra coisa é a modificação da forma de contratação dos professores, que é por jornada de trabalho e não por hora-aula. Ainda não consegui ampliar a creche dos nossos servidores. Nossa creche atende hoje 35 crianças.

vp - Como está a infra-estrutura da Unitau?

Lucila - Encontramos a nossa universidade sucateada em sua infra-estrutura. Falo nos prédios da Unitau, mas principalmente na questão da informatização da universidade. Até o final do ano, todo o sistema deverá estar pronto. Nós tivemos que comprar muito material e equipamento. Só um servidor que estamos comprando hoje custa R$ 350 mil. E são dois, um para o ensino a distância e outro para a universidade. Informatizamos todas as bibliotecas.

vp - Com funciona hoje este setor?

Lucila - Hoje, o aluno já pode ver sua matrícula, ver notas, faltas. O setor de compras foi modificado. Se um chefe de Departamento faz um pedido de compra, ele tem que entrar no sistema ao invés de fazer um monte de papel e já sai no planejamento de compras para ser aprovado ou não. É um processo muito mais dinâmico.

vp - Como está a pesquisa na universidade?

Lucila - Temos hoje mais de R$ 2 milhões em fomento. Conseguimos a Fapeti (Fundação de Apoio à Pesquisa, Tecnologia e Inovação) e vamos buscar recursos no Ministério da Ciência e Tecnologia, além de usar da Lei de Informática. Demorou um ano e meio para a gente conseguir legalizar, fundar e criar. Se nós entrarmos hoje com um projeto na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), temos 90% de chance de sermos contemplados porque já existe uma credibilidade da universidade. São pesquisas de ponta.

vp - Como a senhora avalia a relação da Unitau com a comunidade?

Lucila - A responsabilidade social da universidade é enorme. Vamos ampliar os projetos de extensão universitária.

vp - A universidade está atualizada em relação às necessidades do mercado?

Lucila - Vamos reestruturar todos os cursos de graduação em função do que o mercado está querendo. Não adianta formarmos alunos que não vão atender a demanda do mercado de trabalho. Pretendemos oferecer cursos novos, cursos de tecnologia mais curtos, por exemplo. Recentemente, estivemos em uma montadora de veículos e perguntamos a eles qual o tipo de profissional que estavam precisando. Eles disseram: técnicos e profissionais na área de soldagem, engenheiros. A grande questão para o ano que vem será a de ampliar as vagas para os cursos de engenharia e os tecnólogos.

vp - Como representante de uma autarquia municipal, como você avalia as próximas eleições?

Lucila - Independentemente de quem venha a ser o prefeito, vou defender com unhas e dentes a autonomia da universidade. A autarquia municipal já pressupõe uma autonomia administrativa, financeira e pedagógica. Não vamos permitir que não haja essa autonomia.

vp - É um recado lançado para todos os candidatos?

Lucila - É sim, pode dizer.