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Unindo forças a favor do setor produtivo

Publicado em 07 julho 2020

Fapesp e São Martinho criam centro de pesquisa para controle biológico de pragas da cana-de-açúcar

Embora se tratem de insetos que causam elevados prejuízos, aspectos biológicos e ecológicos ainda não são totalmente conhecidos. Com isso, são adotadas ferramentas de controle que não trazem os resultados esperados pelos produtores.

A Fapesp e a São Martinho – uma das maiores companhias do setor sucroalcooleiro do Brasil – elegeram a Unesp (Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista), em Jaboticabal, no interior de São Paulo, como sede do novo CPE (Centro de Pesquisa em Engenharia) que será voltado ao controle de pragas e doenças que afetam as plantações de cana-de-açúcar.

Os estudos serão conduzidos nos laboratórios já existentes do setor de Fitossanidade, Departamento de Ciências da Produção Agrícola, da FCAV/Unesp, bem como das instituições parceiras, tais como o Centro de Cana, IAC; UFSCar, Apta e ESALQ/USP.

O projeto teve um aporte de cerca de R$ 8 milhões da Fapesp e São Martinho e contrapartida de aproximadamente R$ 21 milhões da Unesp. Estes recursos estão disponibilizados para um período de cinco anos, com possibilidade de renovação por mais cinco. Assim, trata-se de um investimento de longo prazo, que é um fato incomum na pesquisa brasileira.

A estruturação da equipe de pós-doutorandos que auxiliará os pesquisadores na condução das pesquisas e treinamento de recursos humanos bem como a aquisição de equipamentos já iniciaram. Ao todo serão 31 pesquisadores, sendo que 18 deles pertencem ao quadro da Unesp. Alunos de PG (mestrado e doutorado), técnicos e alunos de graduação também atuarão. No total, estima-se que a equipe contará com cerca de 100 pessoas, considerando corpo técnico e alunos em formação.

Fernandes: “Iremos envidar esforços para buscar estratégias ecologicamente compatíveis para o manejo de importantes pragas e doenças da cana”

De acordo com Odair Aparecido Fernandes, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, em Jaboticabal, e pesquisador responsável pelo centro de pesquisa, o principal objetivo do CPE é envidar esforços para buscar estratégias ecologicamente compatíveis para manejo de importantes pragas e doenças da cana-de-açúcar.

“Embora pragas como a broca-da-cana e cigarrinha-das-raízes sejam importantes, o CPE Fitossanidade trabalhará prioritariamente com os insetos e pragas, como bicudo da cana (Sphenophorus levis) e lagarta peluda (Hyponeuma taltula), e a doença SMC (Síndrome do Murchamento da Cana), essa que precisa ser melhor compreendida. Assim, estudos básicos e aplicados serão realizados para manejo dessa doença a campo”, disse Fernandes, que também acrescentou que a opção por estudá-las decorreu da importância atual dessas pragas e doenças, bem como a falta de informação robusta para se avançar no controle. “Ainda iremos trabalhar com a mosca-do-estábulo, Stomoxys calcitrans, importante praga para a pecuária. Esta mosca não é praga da cana de açúcar. Todavia, as suas larvas podem se desenvolver muito bem em palha de cana com vinhaça. Isto tem levado a um aumento da população de moscas e causado conflito entre pecuaristas e produtores de cana-de-açúcar. Estamos buscando solução baseada em controle biológico para esta praga”.

O CPE Fitossanidade em Cana-de-Açúcar também vai atuar na área de biotecnologia e resistência de planta, focado, sobretudo, em cruzamentos convencionais para o melhoramento do cultivar. O intuito será compreender todo o aspecto biológico, ecológico e epidemiológico de pragas e doenças e, com isso, avançar em métodos de controle que busquem a inovação.

Marccheroni: “O CPE irá desenvolver pesquisas na área de fitossanidade, com o objetivo de encontrar soluções eficazes para o controle de pragas e doenças da cana”

“A São Martinho tem a inovação como um dos seus principais pilares de desenvolvimento e a nossa expectativa com este projeto é grande, com potencial para a criação de um novo ecossistema de inovação no país”, destacou o gestor de Inovação da São Martinho, Walter Maccheroni.

Conforme informações levantadas junto aos representantes das entidades parceiras, toda novidade gerada será repassada para o setor sucroalcooleiro, por meio de ações da Coordenadoria de Difusão de Tecnologia, bem como também haverá um trabalho de formação educacional para as escolas da rede de ensino.

Indústria e universidade caminhando juntas

A aproximação da indústria e universidade já é comum em países desenvolvidos. No Brasil, esta parceria já ocorre entre universidades e empresas nos mais diversos campos do conhecimento, porém, geralmente, com enfoque aplicado.

A parceria será muito profícua, pois além dos resultados e inovações a serem obtidos, o corpo técnico da São Martinho deverá ter forte interação com a universidade. Assim, além da pesquisa a ser conduzida e da geração de conhecimento novo, universidade e empresa poderão se beneficiar devido à interação entre suas equipes.

“Nós, da São Martinho, estamos muito satisfeitos com a colaboração em conjunto com a Fapesp e a Unesp na construção do Centro de Pesquisa. Estamos confiantes que esta interação entre indústria e universidade vai gerar bons resultados para a nossa economia e sociedade”, ressaltou Maccheroni.

São Martinho, uma das maiores companhias do setor sucroalcooleiro do Brasil

A Unesp Jaboticabal já tem tradição de trabalho com manejo integrado de pragas e o CPE expandirá isso para fitossanidade graças à parceria