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Jornal de Piracicaba online

Unimac auxilia a colheita da cana-de-açúcar

Publicado em 31 julho 2007

Unimacs (unidades móveis de auxílio à colheita) são equipamentos de uso comum e freqüente em vários países, como o Canadá e a Austrália, carentes de mão-de-obra nesse setor. No Brasil, que ao contrário, tem mão-de-obra até mesmo em excesso, esse equipamento tem uso recente.

Desde 2002 a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) vem financiando projetos da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), visando o desenvolvimento desses equipamentos.

Segundo o site da Feagri, as Unimacs têm o objetivo de reduzir significativamente o tempo requerido para esse processo e beneficiamento, onde colheita, beneficiamento, classificação e embalagem são realizados em campo.

A mão-de-obra está inserida neste conceito, em condições ergonomicamente recomendadas em termos de postura, vibrações, ruídos, sombra e duração da jornada de trabalho.

No caso da cana-de-açúcar, as pesquisas coordenadas pelo professor Oscar Antonio Braunbeck visam criar um equipamento que seja uma alternativa aos dois modelos de colheita da cana —— o manual e o mecânico, eliminando os aspectos negativos de cada um.

Se a colheita manual, com a queima da palha, traz danos ao meio ambiente, a mecanizada como atualmente se conhece, reduz o nível de emprego no campo, apesar de ser ecologicamente correta e aumentar a produtividade.

Pesquisadores da Feagri trabalham no desenvolvimento de unidades móveis de colheita para tomates e frutas desde 1992. O protótipo do equipamento destinado à cana-de-açúcar começou a ser construído em 2003, estando em fase de finalização.

A proposta da equipe coordenada por Braunbeck é que a Unimac cana seja mais compacta e barata que as máquinas atuais; possa operar em terrenos com declividade superior a 12% e colher as canas que não estejam em pé.

Projeções iniciais indicam que o equipamento deverá pesar, aproximadamente, quatro toneladas e chegar ao mercado com preço girando em torno dos R$ 250 mil. Dados do site da Feagri indicam que as colhedoras atuais custam cerca de R$ 850 mil e pesam entre 12 e 16 toneladas.

O modelo que está sendo desenvolvido poderá operar em terrenos com declividade acentuada —— como os que existem na região de Piracicaba —— porque será dotado de tração e direção nas quatro rodas.

Além disso, como a operação terá o apoio de dez trabalhadores —— um na condução e nove atuando nas etapas de ordenamento, alimentação e recolhimento das canas não-capturadas —— existe a expectativa de uma redução no desperdício que varia entre 5 e 10%.

Na lista dos pontos positivos da Unimac-cana os pesquisadores incluem o fato de ela ter sido projetada de forma a garantir aos trabalhadores, mais conforto e segurança, considerando que seus componentes seguem princípios ergonômicos, o que evitará o trabalho em posições inadequadas e a realização de movimentos repetitivos de forma exaustiva.

Cálculos realizados pela equipe do professor Braunbeck indicam que a nova máquina poderá coletar até 200 toneladas de cana por dia, tendo como parâmetro um período de dez horas de trabalho. Mas nada impede que o equipamento opere 24 horas, num sistema de dois turnos.

Com o uso da Unimac-cana, estimam os pesquisadores, o custo da colheita será de R$ 4 a tonelada.

Outro detalhe apontado como positivo nessa nova tecnologia, é que o equipamento será acionado à eletricidade. Eles consideram que o preço comercial não será acessível a boa parte dos pequenos e médios produtores, que teriam como alternativa a compra através das cooperativas agrícolas ou por empresas prestadoras de serviços, contratadas pelos produtores.