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Universia Brasil

Unifran oferecerá cirurgia cardíaca em animais

Publicado em 05 dezembro 2008

O Hospital Veterinário da Unifran recebeu da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) R$ 140 mil para a aquisição de aparelhos de ecocardiografia e eletrocardiografia computadorizada, material para cirurgia cardíaca, dentre outros. Esse valor refere-se ao financiamento aprovado pela Fundação do projeto intitulado "Anuloplastia valvar mitral por plicatura externa em cães com degeneração mixomatosa da valva mitral", de responsabilidade do professor do curso de Medicina Veterinária e do Programa de Mestrado em Cirurgia e Anestesiologia Veterinária da universidade, James Andrade. Com essa verba montamos o Ambulatório de Cardiologia Veterinária, espaço que permitirá a realização de exames cardiológicos avançados, bem como a instalação de um serviço de cirurgia cardíaca em animais", revela o professor.

Segundo James Andrade, a Cirurgia Cardíaca Veterinária é um serviço realizado por pouquíssimos profissionais especializados e centros cirúrgicos veterinários no País. Além das cirurgias, que serão realizadas no centro cirúrgico do Hospital Veterinário, o espaço disponibilizará os seguintes serviços: Eletrocardiografia Computadorizada Veterinária e Ecocardiografia com Doppler colorido - ultra-som cardíaco, com mapeamento de fluxo em cores -, que possibilitam diagnóstico preciso das cardiopatias, avaliação da necessidade de cirurgia cardíaca, acompanhamento pós-operatório, evolução do quadro, bem como as respostas ao tratamento médico ou cirúrgico.

A Degeneração Mixomatosa da Valva Mitral, também conhecida como endocardiose de mitral, acomete a valva mitral (antigamente chamada de válvula mitral). "Na prática, nada mais é do que uma válvula localizada dentro do coração, entre o átrio e o ventrículo esquerdo", explica o pesquisador. A função dessa válvula é evitar que o sangue bombeado pelo ventrículo volte para o átrio. Quando a “válvula” está degenerada (doente), parte do sangue volta para o átrio esquerdo (ocorrendo regurgitação mitral) e o coração cresce. "Com isso, ele comprime um dos brônquios e o cão começa a tossir constantemente. Com o passar do tempo, pode ocorrer edema pulmonar (água nos pulmões) e o animal, acaba indo a óbito por afogamentos", complementa.

"Não existe nenhum medicamento capaz de curar definitivamente ou reduzir a progressão da doença. No entanto, existem medicamentos que são utilizados para melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida, como diuréticos, vasodilatadores e antiarrítmicos. Os cães que não possuem os sintomas da doença não necessitam de tratamento, apenas de acompanhamento da evolução do quadro clínico. A única forma de cura seria a troca ou a correção cirúrgica da "válvula" mitral. No entanto estas técnicas requerem a circulação extracorpórea, - técnica aplicada nos casos em que o coração precisa parar de bater para que a cirurgia seja realizada. O sangue é desviado para uma máquina, que faz o papel do pulmão e do coração -, um recurso escasso na Medicina Veterinária e praticamente indisponível no Brasil para tal fim", revela James.

O projeto aprovado pela FAPESP propõe uma técnica que visará reduzir o grau de regurgitação mitral, pela realização de uma prega ao redor da "válvula", externamente ao coração. A técnica, que dispensa a parada cardíaca e o desvio da circulação para a máquina extracorpórea, pode ser uma esperança no tratamento de cães com insuficiência cardíaca, principalmente nos casos avançados, em que o tratamento medicamentoso já não surte efeito.

Fonte: Unifran