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Hoje em Dia

Unifran investe na qualidade

Publicado em 27 novembro 2003

Ensino de qualidade só pode ser conseguido com investimento em pesquisa, laboratórios e corpo docente. Pois é exatamente isso o que a Universidade de Franca (Unifran) vem fazendo nos últimos anos. Situada no interior paulista, na cidade de Franca a 400 km da capital, a Unifran investiu maciçamente em infra-estrutura, construindo um dos maiores parques clínicos e laboratoriais do Brasil, com destaque para as áreas de saúde, química e biologia. De acordo com o reitor Abib Cury, todas as clínicas da Unifran foram avaliadas e aprovadas por especialistas do Ministério da Educação (MEC), tornando-se um modelo para várias outras instituições de ensino superior. "Todo esse esforço gerou um crescimento poucas vezes visto no contexto geral das universidades brasileiras, o que foi destacado em recente estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), que classificou Franca como um pólo universitário em desenvolvimento e a Unifran como a instituição mais influente da região", disse Cury. Além da infra-estrutura, como disse o reitor, esse crescimento e a melhora na qualidade dos cursos de graduação também foram motivados pelo investimento feito em pós-graduação e pesquisa. É um dos frutos desse investimento já está sendo colhido. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP), o grupo de pesquisa da Unifran, descobriu substâncias, de origem natural, que apresentam possibilidades de combater a Doença de Chagas. Por meio de estudos toxicológicos preliminares, observou-se que as substâncias testadas não apresentam efeitos colaterais e sua eficácia foi comprovada em quase 100% dos testes "in vitro", o que já foi suficiente para a solicitação junto ao INPI Instituto Nacional de Propriedade Intelectual do registro de patente. O próximo passo foi solicitar depósito em forma de PCT Patent Corporacion Treaty, no exterior. "A patente é garantida em 130 países. Na Áustria, um escritório especializado em patentes já fez o exame técnico e não encontrou nada semelhante no mundo, ou seja, é uma patente inédita", explica o professor e coordenador da pesquisa Márcio Luis Andrade. A partir de agora, cabe a FAPESP definir os países que serão depositados, em definitivo, a referida patente. O pesquisador conseguiu chegar à definição após pesquisar por vários meses lignanas (substâncias ativas extraídas da Piper cubeba, uma pimenta asiática originaria da índia) com grande potencial anti-Chagásico. Através dessas lignanas, como contou o coordenador, poderá ser encontrada uma série de possíveis medicamentos para tratamento de outras enfermidades além da doença de Chagas. A pesquisa despertou o interesse do laboratório Teuto Brasileiro, que gostaria de participar das próximas etapas da pesquisa. Um outro ponto importante é que a cubebina e seus derivados não mostraram serem tóxicos, causando problemas hepáticos. A doença de chagas tem origem em países de clima tropical. A falta de um medicamento eficaz levou a equipe da Unifran a desenvolver a pesquisa. Esses derivados pesquisados podem substituir tranqüilamente a violeta de genciana. Outros estudos com estas lignanas e seus derivados, além da atividade Anti-Chagas, estarão sendo feitos tais como: atividade anti-mutagênica, antimicrobiana (ação antiplaca, com uso na odontologia), anti-leishmania (transmitida por mosquito na região Norte-Nordeste e provoca lesões graves na pele) e anti-HIV.