A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) deve colocar em funcionamento até o final do mês o Laboratório Interdisciplinar de Multiômica Espacial, voltado ao diagnóstico do câncer e ao suporte a pesquisas nas áreas de oncologia, imunologia e neurociências por meio da análise de tecidos humanos.
O equipamento central do laboratório é uma plataforma multiômica formada por dois módulos — GeoMx e nCounter — que possibilitam estudo detalhado das estruturas moleculares em amostras de tecido. Segundo a equipe da Unifesp, a tecnologia permite identificar alterações no DNA mesmo em fragmentos muito pequenos de tecido tumoral, o que viabiliza diagnósticos mais precisos e individualizados.
O novo centro será, conforme a universidade, o primeiro laboratório público no país a integrar pesquisa e diagnóstico molecular em nível avançado. Inicialmente, 27 projetos de pesquisa utilizarão os equipamentos, oferecendo também treinamento avançado para pesquisadores. No primeiro momento, serão atendidos profissionais da própria Unifesp e de instituições parceiras como USP, Santa Casa de São Paulo, Icesp e os hospitais privados São Camilo e A.C. Camargo.
Como funciona e aplicações
As pesquisadoras envolvidas destacam que, enquanto o diagnóstico convencional se baseia em exames clínicos complementados por biópsia e avaliação por patologista, os testes genômicos procuram biomarcadores específicos para cada tipo de câncer. Exemplos citados incluem a detecção dos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao câncer de mama, e mutações no gene BRAF, relacionadas ao câncer de pele. Esses marcadores ajudam a identificar alterações, estágio de desenvolvimento e presença de metástase.
A coordenadora do projeto, professora Soraya Smaili, afirmou que a plataforma representa avanço importante na capacidade de avaliar tumores de forma individualizada e rápida, permitindo direcionar terapias de maneira personalizada. A pesquisadora e uma das coordenadoras do projeto, Janete Cerruti, ressaltou que o acesso a esse tipo de teste pode antecipar tratamentos em pacientes com histórico familiar de tumores agressivos, aumentando as chances de cura e reduzindo riscos de metástase e complicações.
O laboratório recebeu investimento inicial de R$ 5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e busca firmar convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento direto à rede pública, atuando em sinergia com hospitais de alta complexidade como o Hospital São Paulo.
A equipe multidisciplinar, coordenada por Soraya Smaili, inclui pesquisadores como Miriam Galvonas Jasiulionis, Janete Cerutti, Rui Maciel, Michelle Samora, Angela Waitzberg, Lucas Leite, Adolfo G Erustes e outros especialistas que participaram da proposta à FAPESP, que já reúne 17 pesquisadores associados.
Matéria alterada às 20h15 (Brasília UTC-3) para corrigir o título e o primeiro parágrafo. Ao contrário do que foi informado, as operações do laboratório devem começar até o final do mês.