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Unifesp comemora os 50 anos do curso de biomedicina

Publicado em 06 junho 2016

Por Vivian Costa

Nos dias 2 e 3 de junho, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comemorou os 50 anos do curso de biomedicina da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), com uma programação extensa. Fundado em março de 1966, o curso de Ciências Biológicas – Modalidade Médica foi idealizado pelo farmacologista José Leal Prado de Carvalho, professor titular do Departamento de Bioquímica e Farmacologia da EPM. O objetivo, na época, era criar massa critica para as cadeiras básicas do curso de Medicina, formando professores de alto nível e que se dedicassem à pesquisa e ao ensino nas diversas disciplinas não-profissionalizantes.

A cerimônia de abertura do evento contou com a presença da reitora da Unifesp, Soraya Soubhi Smaili, a presidente da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, a diretora da EPM, Emília Enoue Sato, o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, o diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Guimarães, entre outros.

De acordo com a professora Marilia de Arruda Cardoso Smith, graduada na primeira turma, o curso destacou-se pela oportunidade de abrir novas áreas de pesquisa e de ensino, até então inexistentes. “Além disso, ele promoveu a formação de recursos humanos destinados à pesquisa e à docência para as chamadas ‘cadeiras básicas’ da escola”, explica.

A reitora da Unifesp, Soraya Soubhi Smaili, que foi da terceira turma, observou que a universidade está passando por dificuldades, mas que nem por isso deixaria de comemorar a data.  “São 50 anos com muito orgulho, muita felicidade e por isso, não poderíamos deixar de celebrar os 50 anos do curso”, afirma, ressaltando que o curso formou 823 biomédicos que atuam em diversas áreas, entre elas, ciências, ciências aplicadas, laboratórios, indústrias e gestão de saúde.

A diretora da EPM, Emília Enoue Sato, ressaltou a importância do curso porque a área é fundamental para a base da ciência. “Os profissionais biomédicos são fundamentais para a área médica, para o curso de enfermagem e para outros cursos. A formação desse profissional é essencial para os pacientes que se beneficiam com o avanço da ciência”.

História

Helena B. Nader, presidente da SBPC e professora titular da Unifesp, ressaltou que o curso de biomedicina foi pioneiro na época e que ainda é referência. “Sou da segunda turma do curso e hoje sou presidente da SBPC, que foi o espaço onde aconteceram as primeiras discussões que deram origem à proposta. A ideia da criação de um curso em ciências biomédicas em graduação e pós-graduação foi apresentado pelo professor Leal Prado e discutido em um simpósio na Reunião Anual da SBPC em 10 de novembro de 1950, na cidade de Curitiba”, lembra.

Ela disse ainda, que os professores da EPM, entre eles os professores Leal e Ribeiro do Valle, que já lideravam a pesquisa nas áreas básicas da medicina, intensificaram seus esforços no sentido de garantir a formação adequada aos que trabalhavam ou buscavam oportunidades complementares em seus laboratórios.

Ao lembrar os diversos movimentos que antecederam a criação do curso, dentre eles a criação da SBPC em 1948, Nader ressaltou que muitos deles foram liderados por médicos que estavam envolvidos com a área biológica e biomédica e que entenderam a necessidade de incentivar a ciência e a tecnologia no Brasil.

Nader ressaltou ainda a importância do contexto político do País nos anos de criação e consolidação do curso, época em que o Brasil atravessou os piores anos da ditadura. “Eu era estudante nessa época. Muitos professores e estudantes foram perseguidos pelo Regime. Nós tínhamos professores e colegas infiltrados, que fiscalizavam e emitiam relatórios sobre as nossas atividades e delatavam e denunciavam ações de resistência aos órgãos da repressão. Muitos colegas – esses sim estudantes de verdade – foram presos e barbaramente torturados, alguns nunca retornaram”, contou. “Lembrar a história, leva-nos a relembrar o momento de luta”. Ao finalizar seu discurso, Nader foi ovacionada de pé pela plateia.

Democracia

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, que participou da mesa de abertura da comemoração, ressaltou a importância do curso ao trazer contribuições ao desenvolvimento de tecnologias no Brasil. “O curso tem  contribuído para  capacidade cientifica no Estado de São Paulo e para o País”, disse.

Cruz também ressaltou a importância de relembrar a história e observou que a ciência no Brasil tem evoluído juntamente com a democracia, mesmo quando o País passa por dificuldades.

Ele afirmou ainda a necessidade de debater, principalmente com a sociedade, a maneira de se fazer/trabalhar a ciência. “Hoje existe um diálogo, um debate que deve ser feito com argumentos de como deve ser a ciência no País. Isso mostra que a sociedade está interessada”, disse.

O diretor-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, que também participou da cerimônia de abertura, lembrou seus dias de professor no curso. “Dei aula em diversas turmas e acredito na sua importância na formação de cientistas no País”, disse.

Egressos

No segundo dia de comemorações, os participantes puderam contar com a apresentação de alguns egressos que contaram suas trajetórias profissionais. Entre as apresentações, os ex-alunos falaram sobre mercado de trabalho, carreira acadêmica, a atuação nos institutos de pesquisa e em empresas farmacêuticas. Falaram ainda sobre integração universidade-empresa e sobre laboratórios clínicos do Brasil.

O professor Luiz Roberto Britto, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, em uma sessão sobre experiências semelhantes à da Unifesp, fez um breve histórico do curso de ciências Biomédicas na USP, que formou sua primeira turma em janeiro deste ano. Segundo ele, o curso tem como objetivo formar um profissional contemporâneo, generalista, humanista e crítico, que deveria atuar em diversos níveis de atenção da saúde e da ciência, ampliando as fronteiras do conhecimento nas áreas de Ciências Biomédicas.

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