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Brasil Econômico

Unicamp vira celeiro de negócios

Publicado em 19 abril 2011

Por Amanda Vidigal Amorim

A Universidade de Campinas (Unicamp) é referência nacional em pesquisa e inovação. Mas, seu papel vai além disso. Com 201 empresas fundadas por alunos e ex-alunos, que são conhecidas como filhas da Unicamp, ela ajuda a movimentar o segmento de companhias de base tecnológica do Brasil. Algumas dessas empresas são conhecidas internacionalmente, como a CI&T, des-envolvedora de software com escritórios em quatro estados e também no Japão, na China, na Europa e nos Estados Unidos. A CI&T espera fechar este ano com faturamento de R$ 130 milhões, ou seja, 30% a mais do que os R$ 100 milhões do ano passado.

Roberto Lotufo, coordenador da Inova, agência de inovação da Unicamp, explica que o objetivo da instituição é ter mais exemplos como este no portfólio. Por isso, está criando melhores oportunidades de pesquisa. "Hoje não temos laboratórios específicos para atender alguns pesquisadores. Isso vai mudar nos próximos anos com a construção do parque científico."

Com 100 mil metros quadrados, o parque terá laboratórios voltados para pesquisa em óleo e gás, biocombustíveis e outros que estão em definição. O primeiro laboratório a ficar pronto será o de óleo e gás que já tem um contrato fechado com uma empresa que presta serviços para a Petrobras e será parceira da universidade.

Hoje, a instituição tem capacidade para incubar apenas dez empresas. Lotufo acredita que com o novo espaço será possível apoiar 50 e potencializar o desenvolvimento de patentes e novas tecnologias. Hoje, a Unicamp é a universidade com mais patentes depositadas no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). São 600 famílias de patentes— a contagem das famílias inclui todos os processos referentes à mesma tecnologia sendo 730 patentes vigentes.

"No ranking internacional, a Universidade de São Paulo (USP) aparece em primeiro lugar em pedidos de patente, mas a USP é duas vezes maior. Mesmo assim, aparecemos em segundo lugar e com uma nota média maior. Ou seja, temos uma quantidade menor de pesquisadores, mas uma produção maior", diz Lotufo.

Outro ponto destacado pelo coordenador são os licenciamentos. "O pedido de patente é feito ainda muito no início da pesquisa, e só faz sentido se há uma empresa querendo investir naquilo. É dessa maneira que o pesquisador consegue colocar suas ideias e sua pesquisa no mercado", explica.

Sem essa ajuda, é necessário recorrer as fontes tradicionais de financiamento. Foi com investimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que a Agricef, por exemplo, conseguiu colocar seu projeto em prática. Ainda incubada na Unicamp, a empresa de Efraim Albrecht Neto venceu, em 2005, o edital da fundação e levou R$ 80 mil. "Foi esse dinheiro que deu condições para produzir nosso equipamento", afirma Neto, referindo-se à máquina que custa R$ 20 mil e detecta por ultrassom o estado de degradação das árvores. Hoje, a Agricef é fornecedora de empresas agrícolas e da multinacional espanhola Bellota e busca contratos também com prefeituras e estados. ¦