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Correio Popular

Unicamp vai tratar enxaqueca com técnica da acupuntura

Publicado em 16 dezembro 2001

Por Delma Medeiros - Da Agência Anhangüera
Uma nova alternativa para o tratamento da enxaqueca, um problema que atinge de 10% a 20% da população mundial, está sendo proposta pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Trata-se do recém-criado Ambulatório de Acupuntura Aplicada à Enxaqueca, que está recrutando pacientes para participarem do estudo, fruto de uma parceria com a Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha. O neurologista Jayme Antunes Maciel Júnior, da Faculdade de Medicina da Unicamp e responsável pelo Ambulatório de Dor de Cabeça, diz que entre 16 milhões a 30 milhões de pessoas sofrem com o problema no Brasil. Ele destaca que, por tratar-se de moléstia bioquímica, relacionada ao sistema de moléculas, os mecanismos que causam a enxaqueca ainda não são plenamente conhecidos, o que dificulta o tratamento. Segundo o neurologista, em torno de 40% das pessoas que têm enxaqueca não se adaptam a nenhum dos medicamentos disponíveis. Segundo Maciel existem duas vertentes de atuação na busca de solução para o problema: a terapêutica-farmacológica, com uso de medicamentos, e as alternativas não farmacológicas, como a acupuntura. Ele frisa, no entanto, que o método ainda é controvertido. "Não há um consenso sobre a eficácia do tratamento". O estudo pretende envolver 220 pacientes em três anos, prazo estabelecido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para a duração do projeto, intitulado Avaliação da Eficácia Terapêutica da Acupuntura na Profilaxia da Enxaqueca. O Ambulatório de Acupuntura Aplicada à Enxaqueca, começa efetivamente a funcionar a partir de fevereiro, dentro da área de Neurologia do Hospital das Clinicas da Unicamp. O resultado do estudo servirá para compor a tese de doutorado de Jerusa Alecrim Andrade, médica especializada em acupuntura. Maciel cita que o propósito da pesquisa é estudar a eficácia da acupuntura no tratamento da enxaqueca. Apesar de controversa, a modalidade foi incluída como alternativa terapêutica para este tipo de tratamento pela Associação Americana de Medicina e pela Associação Brasileira de Cefaléia. INGRESSO A estratégia para a assistência no HC, de acordo com Jerusa, consistirá em realizar consultas clínicas e acompanhamento por meio de um calendário de enxaqueca, com anotações diárias feitas pelo paciente sobre a evolução da dor. Serão considerados elegíveis para inclusão no estudo, pacientes com idade entre 18 e 50 anos que apresentem pelo menos duas crises de enxaqueca por mês. Segundo Maciel, é difícil avaliar a eficácia do tratamento quando as crises são muito esporádicas. Ele acrescenta que a pesquisa não visa discutir o efeito anestésico da acupuntura, mas sim sua eficácia no tratamento das dores de cabeça em geral e, em particular, das enxaquecas. Segundo especialistas, a enxaqueca se constitui numa das doenças mais invalidantes da atualidade: não leva à morte, mas interfere diretamente na qualidade de vida e na convivência social. A doença se desenvolve a partir de uma dor de cabeça latejante, em geral iniciada num lado da cabeça, e acompanhada de intolerância à luz, aos barulhos, náuseas ou vômitos. As enxaquecas podem durar de quatro horas a três dias. Pessoas interessados em participar do estudo devem realizar um contato prévio no Ambulatório de Neurologia pelo telefone (19) 3788-7754 (com Leda ou Solaine).