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Unicamp vai realizar testes rápidos para detectar zika

Publicado em 11 fevereiro 2016

Por Milton Paes

Campinas - A partir da próxima segunda-feira a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) inicia testes rápidos para detectar o vírus da zika. O teste de sorologia será feito em amostras de sangue, urina e saliva e o resultado sai em até 5 horas.

O teste foi desenvolvido pela força-tarefa criada pelos pró-reitores de Pesquisa da Unicamp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) reunindo pesquisadores das três universidades estaduais paulistas com o objetivo de maior interação nos estudos sobre o zika vírus e demais doenças virais transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue e a febre chikungunya.

Segundo a coordenadora de pesquisas da Unicamp, a professora do Instituo de Biologia, Clarice Weis Arns, o teste rápido tem eficácia de 100% e representa considerável avanço no controle do zika. Atualmente, o exame é realizado apenas em sangue e o resultado demora pelo menos uma semana. "Assim que tivermos os resultados, vamos encaminhar para o local de origem do exame, sendo ele negativo ou positivo. O paciente, geralmente, está desesperado para saber se tem zika ou não", explica.

A ação será realizada inicialmente em Campinas. "O HC da Unicamp encaminhará amostras, assim como Campinas. depois, receberemos casos suspeitos de outras cidades", afirma.

A formalização de criação da força-tarefa com a Unicamp, USP e Unesp intitulada Rede para Zika Virus ocorreu em reunião realizada na semana passada na sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) em São Paulo.

Para a pró-reitora de pesquisa da Unicamp, Gláucia Pastore, o cenário ainda está confuso, como no que se refere ao diagnóstico da doença.

"Queremos interferir nesse aspecto, criando protocolo e força-tarefa de identificação. A ciência ainda não possui métodos precisos, até porque no exterior ainda não se chegou ao mesmo nível de preocupação do Brasil. Outras questões relacionam o vírus à microcefalia e à imunidade, ou seja: por que uma pessoa enfrenta bem o mal e outra tem complicações, qual é a resposta imune [saúde, genética, alimentação]?" indaga. Segundo Gláucia, o encontro serviu para estruturar a força-tarefa da Unicamp, para conciliar linhas de pesquisas e pesquisadores em torno de meta comum, paralelamente ao esforço no âmbito do Cruesp.

"Estamos muito interessados na metodologia, que se pode usar para outros temas de pesquisa. Com a força-tarefa estruturada, definimos os grupos e coordenadores, que apresentam pré-projeto no dia 24 de fevereiro. Vamos discutir o projeto com o CNPq, com a Fapesp e órgãos de financiamento do exterior", diz.