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Correio Popular

Unicamp vai formar engenheiros para Embraer

Publicado em 07 novembro 2002

Por Diego Zanchetta - da Agência Anhangüera -diego@rac.com.br
O Instituto de Computação (IC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) terá a partir de janeiro de 2003 o primeiro curso do Brasil de especialização em engenharia voltado para o desenvolvimento de programas aeronáuticos. O programa de extensão universitária foi viabilizado por meio de um convênio inédito assinado, ontem, entre a Unicamp e a Embraer, quarta colocada no ranking mundial de fabricantes de aeronaves comerciais. As inscrições estão abertas até o próximo dia 15 e os 30 engenheiros selecionados vão receber uma bolsa de estudos de R$ 1.840,00 mensais durante os sete meses do curso, além de auxilio moradia e um laptop. A parceria entre a Unicamp e a Embraer será estendida ainda para o desenvolvimento de pesquisas aeroespaciais. De acordo com o reitor Carlos Henrique de Brito Cruz, uma modalidade em engenharia aeronáutica poderá ser implantada na Faculdade de Mecânica da Unicamp. Hoje, apenas o Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) possuem cursos de graduação em engenharia aeronáutica. "O convênio com a Embraer vai alavancar outras pesquisas que a Unicamp pretende desenvolver no ramo aeronáutico. A parceria, inclusive, poderá viabilizar o financiamento de pesquisas aeroespaciais da Unicamp por meio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)", destacou o reitor da Unicamp. "Também estamos discutindo a criação de uma modalidade de engenharia aeronáutica na Faculdade de Mecânica", adiantou. O curso de extensão do IC será ministrado por um corpo docente da Unicamp treinado nos últimos três meses especificamente para o desenvolvimento de softwares usados na aeronáutica. Até o final de 2003, cerca de 500 engenheiros estarão capacitados no Programa de Especialização de Engenharia (PEE) desenvolvido pela Embraer em universidades de todo o País. "A especialização em softwares usados em aviões da Unicamp é o único curso do ramo no País. Mas a Embraer já desenvolve cursos de extensão para formar engenheiros em todo o Brasil, totalizando um investimento de US$ 4 milhões", afirmou Sidnei Lage, gerente de treinamento e educação da Embraer. Mais de 1,4 mil engenheiros de todo o País se inscreveram para o novo curso de especialização oferecido pela Unicamp desde o último dia 5 no site www.embraer.com.br. Os candidatos pré-selecionados pelas fichas de inscrição serão submetidos a entrevista e a dinâmica de grupo que serão realizadas na sede da Embraer, localizada em São José dos Campos. A Embraer tem atualmente 3 mil engenheiros contratados e, em 2002, a empresa vai colocar no mercado 135 novas aeronaves comerciais. "Depois de passarem três meses na Unicamp, aprendendo noções gerais do desenvolvimento de programas aeronáuticos, os engenheiros selecionados vão para São José dos Campos conhecer as outras especificações que existem no ramo durante mais quatro meses. A maioria dos engenheiros formados têm chances de serem contratados pela Embraer", disse Júlio Franco, diretor de Recursos Humanos da Embraer. "Esperamos que a parceria com a Unicamp ofereça uma capacitação tecnológica para a universidade se tornar um centro de excelência também no ramo da aeronáutica." SERVIÇO Inscrições: até o dia 15 de novembro pelo site www.embraer.com.br Início do curso: 6 de janeiro de 2003 Duração do curso: sete meses (quatro na Unicamp) Requisitos: graduados em Engenharia de Computação, de Sistemas, Elétrica/Eletrônica ou outras correlacionadas a estas, desde que formados em 2001 ou 2002, ou que estejam cursando pós-graduação neste mesmo período ESPECIALISTAS DISCUTEM GENOMA DO EUCALIPTO EM CAMPINAS Com a realização do primeiro encontro nacional do Projeto Genolyptus, que começou ontem e vai até amanhã, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que sedia o evento, aproveitou para promover o primeiro curso sobre o tema no Brasil. Sob a coordenação do professor Gonçalo Guimarães Pereira, que coordena, em Campinas, o sub-projeto 8 do Genolyptus (Rede Brasileira de Pesquisa do Genoma do Eucalipto), cerca de 50 participantes, entre pesquisadores, cientistas e representantes de empresas, incluindo o coordenador nacional do projeto, Dario Grattapaglia, discutiram o resultado e o andamento das pesquisas, as questões técnicas e as perspectivas que devem resultar no encontro do gene perfeito da árvore, que tem no Brasil o seu maior produtor mundial. "Este encontro está servindo para a realização do primeiro curso, por conta da presença dos pesquisadores que promovem o nivelamento dos conhecimentos, a mostra dos resultados dos sub-grupos de pesquisas que envolvem diferentes áreas do projeto, das discussões sobre o seu andamento e a troca de informações entre os envolvidos", ressaltou o professor Gonçalo, do Departamento de Genética e Evolução da Unicamp e coordenador do Laboratório Genômica e Expressão. Os resultados práticos sobre as pesquisas ainda vão demorar a aparecer (daqui a cerca de cinco ou sete anos), quando o Brasil deverá estar produzindo eucaliptos melhores, com maiores condições de adaptação ao solo e às variações climáticas. A busca do eucalipto perfeito se explica pelo fato de o Brasil ser o líder mundial na sua produção e, conseqüentemente, liderar a produção mundial de papel e celulose. Para não perder o posto, o país precisou se cercar de tecnologia e avanços genéticos para aperfeiçoar a árvore, o que é possível com o projeto, instalado em fevereiro, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Para se manter na liderança há a necessidade de pesquisa e tecnologia". (Marina Silva/Da Agência Anhangüera)