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Jornal do Commercio Brasil (SP)

Unicamp usa PS3 em pesquisas científicas

Publicado em 17 outubro 2007

Por Da redação, com Agências

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) interligaram 12 consoles de videogame Play Station 3 para desenvolver simulações que ajudam no estudo da interação de anestésicos locais utilizados em odontologia com membranas celulares.

O videogame, lançado há um ano pela Sony, roda sistema operacional Linux e forma um conjunto de processamento que é capaz de realizar bilhões de cálculos por segundo, informou em nota a Agência Fapesp. A rede de videogames, que são equipados com processadores Cell - apelidados pela Sony de "supercomputador em um chip"- foi montada em junho.

"O objetivo da pesquisa é entender o mecanismo de ação desse tipo de fármaco a fim de melhorar sua eficácia e minimizar seus efeitos colaterais a partir do desenho racional de novos compostos com atividade anestésica", disse a coordenadora da pesquisa, Monica Pickholz, do Departamento de Bioquímica do Instituto de Biologia da Unicamp.

Processador. Com o processador Cell, os pesquisadores na Unicamp conseguiram montar um conjunto com 72 chips, cada um com memória de 256 megabytes. "Cada PlayStation tem um processador dual-core PowerPC, da IBM, que controla os seis processadores Cell, utilizados para os cálculos de alto desempenho. Ao instalarmos o Linux no PlayStation, as máquinas passaram a trabalhar de maneira semelhante aos clusters formados com PCs comuns", disse a pesquisadora. Cluster pode ser definido como um sistema onde dois ou mais computadores trabalham de maneira conjunta para realizar processamento pesado.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) comprou os consoles com disco rígido de 60 gigabytes. Não foi divulgado quanto foi gasto na aquisição dos aparelhos, que no varejo são vendidos a preços a partir de R$ 2 mil.

Segundo a agência, se o valor da compra dos videogames fosse aplicado em servidores convencionais, em vez de 72 processadores, seria possível comprar apenas 32 para o conjunto. "Com essa adaptação, conseguimos alto poder de cálculo científico com boa economia de recursos", afirmou Monica.

Segundo ela, como a Sony incluiu uma opção no menu do PlayStation 3 para instalar outros sistemas operacionais - e devido à grande capacidade dessas máquinas -, é cada vez maior a utilização de videogames para a construção de supercomputadores para fins de pesquisa.

A pesquisadora informou que o primeiro conjunto de pesquisa com PlayStation 3 para uso acadêmico foi elaborado em janeiro deste ano pelo professor Frank Mueller, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, envolvendo oito consoles.

No projeto, donos de videogames emprestam o poder computacional de seus consoles ligados em rede, em momentos em que não estão jogando, para que os pesquisadores possam realizar operações em investigações de proteínas associadas a doenças como Parkinson, mal de Alzheimer e várias formas de câncer.

Cientistas da Universidade de Barcelona, na Espanha, também utilizam clusters de PlayStation 3 para cálculos computacionais avançados. "Estamos, inclusive, colaborando com grupos de pesquisa da universidade espanhola em projetos de simulações para estudar lipossomos usados na liberação controlada de fármacos", disse Monica.