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UNICAMP - Universidade identifica mais 52 espécies marinhas inéditas

Publicado em 19 fevereiro 2003

Uma pesquisa, coordenada pela bióloga Antonia Cecília Zacagnini Amaral, da Universidade de Campinas (Unicamp), identificou 535 espécies marinhas diferentes, nos municípios de Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo. Dessas, 52 foram descritas pela primeira vez em nível mundial. As coletas foram realizadas entre janeiro de 2001 e dezembro de 2002 e, segundo a professora Antonia, outras espécies podem ser descobertas, já que, até agora, apenas um terço do material foi identificado. Os resultados conseguidos até o momento indicam que, a cada dez espécies que vivem no fundo do mar, uma é desconhecida. "A conclusão do trabalho está prevista para o final de 2004", diz. A pesquisa é a única voltada à fauna marinha do programa Biota/Fapesp, mantido pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo, cujo objetivo é mapear a biodiversidade de fauna e flora paulista. Os animais estudados são todos bentos marinhos - animais que vivem junto a algum tipo de substrato (areia ou rocha), na praia ou fundo do mar. São moluscos, crustáceos e vermes que habitam o assoalho dos oceanos. Conforme a pesquisadora, foram envolvidas na pesquisa, até o momento, cerca de 60 pessoas, a maior parte alunos de graduação que ajudaram na fase da coleta. Na segunda fase, estão participando alunos de pós-graduação e pesquisadores especializados na identificação de espécies, de outras universidades paulistas, como a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de estudiosos de outros estados e do exterior. A previsão é que sejam investidos entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões no projeto. Das 52 novas espécies identificadas, 40 pertencem à meiofauna (animais pequenos, que ficam retidos numa malha de 0,05mm). As outras 12 pertencem à macrofauna, de maior porte. Entre elas estão cinco variedades de D. cuprea, verme anelídeo do mesmo grupo das minhocas, que pode chegar a 15 centímetros de comprimento por 8 milímetros de largura. Segundo Antonia Amaral, outro objetivo da pesquisa foi detectar espécies de importância comercial, como caranguejos e moluscos. "São poucos os estudos existentes relacionados com a biologia dessas espécies", explica. Entre os animais identificados nesse caso estão o mexilhão Mytella charruana e o molusco Tivela mactroides, de concha acinzentada da qual se extrai um marisco comestível. Os pesquisadores verificaram, também, a incidência de algumas variedades de moluscos, crustáceos e vermes considerados bioindicadores de alterações ambientais. (Agência Estado)