Notícia

O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Unicamp testa processo de remediação para áreas contaminadas

Publicado em 30 maio 2002

Campinas - Quase todos os Poluentes Orgânicos Persistentes, conhecidos como POPs e, em especial, os derivados de petróleo, podem ser eliminados do solo de áreas contaminadas através de processos de remediação não convencionais, que usam a hidroxila (OH) como principal reagente químico. Os testes de bancada foram realizados no Laboratório de Química Ambiental da Universidade Estadual de Campinas (LQA-Unicamp) com amostras reais de organoclorados do tipo "drins", retiradas da antiga área da Shell, em Paulínia, a 120 quilômetros de São Paulo. Com base nos resultados dos testes - nos quais se obteve até 80% de remoção dos contaminantes - poderia ser feita uma remediação no local contaminado, sem necessidade de remoção do solo, a um custo inferior aos dos processos de recuperação convencionais. Tanto a incineração como a disposição do solo contaminado em aterros ou contêineres apropriados, que são as alternativas mais usuais, implicam na remoção do solo, com riscos redobrados de contaminação durante o processo de transporte e armazenagem, sem contar que a incineração, se não é controlada, pode gerar emissões de poluentes muito mais tóxicos do que os próprios "drins", como as dioxinas e furanos. O LQA trabalha com várias alternativas de reagentes químicos para solos e efluentes contaminados, em projetos de pesquisa coordenados por Wilson Jardim, com financiamento de cerca de R$150 mil por ano, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e reagentes fornecidos pela Degussa. Um acordo está em fase final de formalização também com a Petrobrás, para pesquisas em áreas contaminadas por derivados de petróleo. A pesquisa específica com as amostras da Shell vem sendo feita, nos últimos 2 anos e meio, por Gislaine Ghiselli, que defendeu mestrado no fim do ano passado, e Fernanda Vasconcelos de Almeida, que termina o doutorado este ano, ambas sob orientação de Jardim. No primeiro ano, houve colaboração e financiamento da Shell, que franqueou a entrada da equipe à área interna da antiga unidade de Paulínia para amostragem.