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Unicamp terá teste rápido para doenças do Aedes

Publicado em 09 fevereiro 2016

Por Bruno Bacchetti

A Unicamp começa na segunda-feira (15) a realizar testes rápidos para identificar a dengue, zika vírus ou chikungunya, todas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

O teste molecular será feito a partir de amostras de sangue, urina ou saliva e fica pronto em até cinco horas, com 100% de eficácia.

Num primeiro momento, as amostras serão colhidas no Hospital de Clínicas (HC) e Centro de Atenção Integrada à Saúde da Mulher (Caism), ambos da Unicamp, mas posteriormente a coleta poderá ser estendida para outras unidades de saúde de Campinas e cidades da região, como, por exemplo, Sumaré, que já tem dois casos confirmados de zika vírus.

“Esse teste é novo na Unicamp e será realizado no laboratório do Instituto de Biologia. O teste molecular vai permitir saber o resultado em até cinco horas, desde que a coleta do material tenha sido feita dentro do prazo estabelecido, quando os sintomas ainda estão presentes”, explicou Clarice Arns, coordenadora de pesquisas da força-tarefa da universidade que estuda o vírus, em parceria com a USP e a Unesp.

“Já estamos acostumados a trabalhar com vários outros vírus, mas neste momento estamos focados no zika”, completou.

Segundo a pesquisadora, o teste é semelhante ao realizado pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, que está com demanda elevada por causa do grande número de casos de dengue e do surgimento de zika vírus. Por isso, a ideia é desafogar o laboratório da capital e descentralizar a realização dos testes.

“O Adolfo Lutz não está dando conta, então a grande diferença é que vai distribuir em diferentes lugares e outros laboratórios vão poder fazer esse diagnóstico. Com essa força-tarefa os institutos de pesquisa estão conversando para tentar responder a esses questionamentos”, afirmou Clarice.

Apesar de no início os testes serem realizados somente com amostras dos hospitais da Unicamp, a pesquisadora diz que em breve poderá receber amostras de outros hospitais de Campinas e de cidades da região, desde que existam acordos com prefeituras e Estado.

“Aos poucos podemos receber de outros hospitais de Campinas e municípios vizinhos, mas aí tem que existir entendimento com municípios e Estado sobre como financiar esse trabalho, porque o teste custa muito caro.”

Até o momento, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem quatro casos confirmados de zika vírus. São dois casos em Sumaré, um em Campinas e outro em Americana. A vizinha Piracicaba também tem uma ocorrência da doença. No ano passado, a região registrou 111,7 mil casos de dengue.

Força-tarefa

Na sexta-feira (5), a Unicamp, USP e Unesp formalizaram a criação de uma força-tarefa chamada Rede para Zika Vírus, para trocar informações e promover integração entre as três universidades no combate ao zika. O trabalho foi definido em reunião realizada na sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) realizada na quinta (4).

“Considerando as ações que cada instituição vem desenvolvendo em relação a doenças virais transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, foi sugerido que montássemos uma força-tarefa mais robusta via Cruesp, com mais pesquisadores e maior interação entre Unicamp, USP e Unesp”, afirmou Gláucia Pastore, pró-reitora de Pesquisa da Unicamp.

Durante a reunião no Cruesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, solicitou das três universidades um programa com propostas, metodologias e objetivos, que possa ser encaminhado a algumas fontes de financiamento.