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Unicamp tem elo histórico com etanol

Publicado em 02 setembro 2007

O Brasil vive a euforia do etanol. Vários projetos e diversas usinas de açúcar e álcool serão construídas no País - um total de 409 empreendimentos até 2013, com investimentos que devem superar a marca de R$ 29 bilhões no período. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desde sua fundação (5 de outubro de 1966) sempre esteve envolvida em pesquisas que hoje se mostram como vanguardistas. Assim como não é de hoje que existe a preocupação com a escassez das fontes tradicionais de energia. E muito do progresso nesta área é resultado de pesquisas para o setor.

A mais recente investida nessa área de conhecimento é o convênio entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a iniciativa privada, que contempla estudos com o bagaço e a palha de cana-de-açúcar. O programa recebeu injeção de R$ 100 milhões e a sede de várias pesquisas está na Unicamp, no Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe).

No caso dessa parceria da Fapesp, um dos pesquisadores é o professor Carlos Eduardo Rossell, que também faz parte do Nipe. Esse é o maior convênio já firmado com a iniciativa privada que visa incrementar, principalmente, as pesquisas para obtenção do álcool com o bagaço da cana-de-açúcar, além da otimização do uso dessa biomassa de energia para as próprias usinas.

Mas essa não é a única frente de estudos sobre etanol na Unicamp. A universidade tem pesquisadores nas áreas de Química, Física e das engenharias Agrícola, Mecânica e de Alimentos. Aliás, foi o Nipe que fez estudo minucioso com o Ministério da Ciência e Tecnologia que revela que o Brasil, em 2025, poderá ter condições de produzir etanol suficiente para substituir 10% da gasolina consumida no mundo. Para isso, o País precisará aprimorar e desenvolver tecnologias e expandir o plantio para produzir 205 bilhões de litros de etanol por ano.

O professor Rossell - que trabalha em pesquisas sobre o etanol, inclusive nessa investida da Fapesp e iniciativa privada -, diz que acredita na força do produto para o desenvolvimento sustentável. "Uma das linhas de pesquisas relacionadas à produção de etanol que está atraindo os esforços da comunidade científica no mundo todo e, em particular no Brasil, é a produção de etanol de resíduos vegetais ou biomassa lignocelulósica, já que é um material produzido via fotossíntese, seqüestrando o dióxido de carbono da atmosfera", diz o professor. A previsão é de que em cinco anos se tenha uma primeira versão do processo, factível de produzir etanol em escala industrial.

Por causa dessas pesquisas, Rossell acha que novamente o Brasil está numa situação privilegiada, pois parte do bagaço remanescente, após a extração do açúcar para produzir o combustível. O mesmo irá acontecer futuramente com a palha da cana-de-açúcar, que hoje é queimada. "Com a hidrólise desses materiais haverá um aproveitamento integral da cana-de-açúcar e maior produção de etanol em relação à área plantada. Estimativas conservadoras apontam para um aumento de 35% a 40% a mais do combustível", fala.