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Unicamp registra sua 500ª patente

Publicado em 18 dezembro 2007

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comemora a 500ª patente depositada no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Nunca antes uma instituição de pesquisa havia alcançado esse número. O produto também é revolucionário: um creme à base de insulina que acelera a cicatrização de feridas em diabéticos. A universidade divulgou ontem que, pela primeira vez, realiza a transferência de uma patente já com sua marca registrada. O invento será produzido e comercializado - com os nomes Fentox e Fentox TPH - pela empresa Contech Brasil, instalada em Valinhos. Ainda não há uma data para a entrada do produto no mercado, pois seguem as pesquisas clínicas em humanos, exigência de órgãos responsáveis por sua liberação comercial final. O creme de insulina foi desenvolvido pelo endocrinologista Mario Saad e pela enfermeira Maria Helena Melo Lima, ambos da Faculdade de Ciências Médicas. Na fase inicial de testes, foram utilizadas cobaias animais do Laboratório de Biologia Molecular da universidade. A tecnologia para desenvolver é resultado do trabalho dos pesquisadores Wilson Jardim e Juliano de Almeida Andrade, do Instituto de Química. Para o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, a universidade cumpre o seu objetivo que é o de transformar conhecimento em serviços e produtos. Por ano, a Unicamp tem depositado 70 patentes. Àqueles que eventualmente acharem pouco, ele justifica: o interesse em registrar propriedade virou realidade nas universidades brasileiras há pouco tempo. "No último do ranking do INPI, a Unicamp aparece em primeiro lugar entre os que mais depositam patentes, seguido pela Petrobrás e por algumas outras empresas. A Federal de Minas Gerais e a Fapesp também estão entre as dez primeiras", comenta. O reitor salienta que a universidade não visa ao retorno financeiro com a patente do produto. "Ainda não temos números fechados sobre o que rende. Mas é algo em torno de R$ 200 mil a R$ 300 mil por ano.

É ainda muito pouco", ressalta. Segundo Tadeu Jorge, nenhuma universidade no mundo se sustenta com recursos gerados por patentes.

INDÚSTRIA VS. UNIVERSIDADE

"As indústrias brasileiras sempre foram mais atentas que as universidades e institutos de pesquisas para a cultura do patenteamento. Eu diria que teremos uma corrida daqui para frente entre esses segmentos", destaca o presidente da INPI, Jorge Ávila.Ele destaca a Petrobrás como a empresa que mais busca registrar patentes, mas lembra que, empresas de porte pequeno, com alto valor agregado tecnológico dentro do conjunto de setor privado, procuram cada vez mais o instituto. O INPI, diz Ávila, tem cerca de 400 técnicos e pretende contratar mais profissionais, para reduzir o tempo de registro de uma marca ou produto. Segundo ele, espera-se hoje no Brasil entre cinco e sete anos, enquanto o prazo fica entre quatro e cinco no exterior. "Queremos reduzir para quatro anos essa espera.

Atualmente, quando a patente é depositada, ela leva 18 meses apenas para começar a ser apreciada", explica Ávila. A pesquisa do medicamento à base de insulina começou há cinco anos. Mas foi há apenas 18 meses que a equipe passou a investir no potencial do creme de insulina como acelerador de ferimentos.

"Começamos testando em animais e tivemos resultados animadores em humanos", explica o endocrinologista Mario Saad. A insulina (hormônio responsável pela diminuição da glicose no sangue), na forma de creme, conseguiu acelerar a cicatrização em seis dias. Em testes com ratos diabéticos, a cicatrização ocorreu em nove dias. O produto não apresentou nenhuma contra-indicação. "Com o creme de insulina, verificamos a volta do crescimento celular, diminuindo a lesão", explica Maria Helena. Segundo ela, uma ferida aberta por muito tempo aumenta o risco de infecção e pode levar, até mesmo, à amputação de um membro.