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Agência Gestão CT&I

Unicamp rastreia empreendedores entre ex-alunos

Publicado em 19 setembro 2016

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está rastreando iniciativas empreendedoras entre ex-alunos. A tarefa cabe à Agência Inova Unicamp que mapeará os 127.327 egressos da instituição desde 1968. Até agora foi possível levantar um total de 61.868 endereços de e-mail, para os quais foram enviados questionários e obtidas 6.988 respostas.

Neste universo, foram mapeados 537 empreendedores (7,7%) e cadastradas um total de 514 empresas-filhas, na denominação da Unicamp, das quais 434 estão em atividade em 2016. Juntas, elas faturam mais de R$ 3 bilhões e geram 21.995 empregos.

A área de conhecimento que mais gera empreendedores é a de Engenharia (38%), seguida das Ciências Exatas e da Terra (18%) e das Ciências da Saúde (14%). “Historicamente, a Engenharia, assim como a Física da Unicamp, estiveram voltadas para a pesquisa aplicada e com maior contato com empresas, o que ajuda a explicar a cultura empreendedora”, afirma Milton Mori, diretor executivo da Agência Inova Unicamp.

O destaque da Engenharia tem, ainda, uma razão estatística: o leque de opções do curso e o número de vagas é muito maior, por exemplo, que o de Biologia, de onde saíram 3% dos empreendedores. “A Engenharia Química oferece 150 vagas e a Biologia 30”, compara Mori.

No que se refere à atuação no mercado, a maior concentração de empresas-filhas da Unicamp está na área de Tecnologia da Informação (37,8%). Também é significativo o número de empresas de consultoria (27,95), de engenharia (18,7%), educação (9,7%) e saúde humana e bem-estar (7,6%).

As grandes empresas, com faturamento superior a R$ 300 milhões por ano, representam 1,6% do total de empreendimentos. Todas elas têm negócios com o exterior. As médias-grandes, com faturamento entre R$ 90 milhões e R$ 300 milhões por ano, também correspondem a 1,6% do total empresas cadastradas. 75% delas tem entrada no mercado internacional. Foram classificadas como médias, com faturamento de R$ 16 milhões a R$ 90 milhões, 15,6% das empresas, sendo que mais da metade (59%) exporta.

As demais empresas (72,8%) são pequenas, com faturamento inferior a R$ 16 milhões. “Entre estas, o percentual médio de exportação caiu de 38% em 2015 para 20% em 2016 por conta de um crescimento significativo no número de novas startups cadastradas em nossa base de dados”, acrescenta Mori.

A grande maioria das 514 empresas-filhas, mais precisamente 91%, está localizada no estado de São Paulo e mais da metade em Campinas. De acordo com o cadastro da Inova Unicamp, 43% delas já receberam algum tipo de investimento. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo é responsável por 28,3% dos apoios – por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) –, seguida das duas agências federais: a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com 19,2%, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com 13,9%.

“É importante destacar que a participação do investidor privado nacional, de 13,9%, já é igual à do CNPq. Se somarmos esse percentual à participação do investidor-anjo (10,1%) e à do investidor privado internacional (4,2%), teremos um valor equivalente ao aportado pela Fapesp”, salienta Mori.

Em paralelo ao rastreamento de empresas inovadoras, a Unicamp, junto com a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e a Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), uma das incubadoras da região, busca incentivar a criação de startups. “Estamos indo a cada uma das unidades para estimular o empreendedorismo. Queremos, por exemplo, aumentar o número de projetos Pipes apresentados à Fapesp e fazer de Campinas a região que mais recebe essa modalidade de apoio da fundação”, diz Mori.

Campinas está entre as cinco cidades paulistas com maior número de empresas inovadoras, de acordo com estudo realizado pela  Unicamp e a Universidade George Washington.  O estudo “Sistemas de inovação, estratégias e políticas”, que avaliou a concentração de empresas inovadoras que utilizam tecnologias geradas por universidades e por elas próprias para garantir oportunidades de negócios no Estado de São Paulo, foi realizado no âmbito do Programa São Paulo Excellence Chairs (Spec) da Fapesp.

Foram analisados 1.130 projetos do Programa Pipe distribuídos em 114 cidades, no período entre 1998 e 2014. Em número absolutos de empreendimentos, cinco cidades se destacaram: São Paulo, Campinas, São Carlos, São José dos Campos e Ribeirão Preto. Em termos relativos, no entanto, São Carlos ganhou a dianteira, com 199 projetos por grupo de 100 mil habitantes.

Para saber mais sobre a pesquisa, clique aqui.

(Agência Gestão CT&I, com informações da Fapesp)