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Jornal da Tarde online

Unicamp prepara a eleição do novo reitor

Publicado em 07 março 2005

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai escolher seu novo reitor na semana que vem, um ano antes do previsto, porque o atual titular, Carlos Henrique de Brito Cruz, se afastará para assumir a diretoria científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Três candidatos estão em campanha. O eleito administrará durante quatro anos uma instituição que produz 15% das pesquisas do Brasil. A diferença entre os recursos movimentados pela universidade e o orçamento de Campinas é de cerca de R$ 250 milhões.
O atual vice-reitor, José Tadeu Jorge, é candidato desde que Cruz divulgou que deixaria o cargo e é considerado um dos mais fortes na disputa. Apoiado pelo reitor, concorre com o professor Antônio Celso Arruda Fonseca, do departamento de Engenharia do Petróleo da Faculdade de Engenharia Mecânica, e com o professor Edson Moschim, do departamento de Semicondutores, Instrumentos e Fotônica da Faculdade de Engenharia Elétrica (veja as propostas ao lado).
Ambos disseram que entraram na briga "para democratizar a escolha do novo reitor". Menos conhecido, Moschim diz que "se colocou na disputa para enriquecer o processo eleitoral". Nem ele nem Arruda se definem como opositores. "Não sou oposição à atual gestão, mas a qualquer processo que envolva uma candidatura única", esclareceu Arruda, que concorre pela terceira vez.
Para o presidente da Comissão Eleitoral da Unicamp, Archimedes Perez Júnior, não se trata exatamente de eleição, mas de uma consulta acadêmica marcada para os dias 16 e 17.
O voto dos professores tem peso três, dos alunos e funcionários, um. Caso nenhum candidato seja escolhido com mais de 50% dos votos, haverá segundo turno, nos dias 30 e 31. A partir do resultado, o Conselho Universitário (Consu) elabora uma lista tríplice para ser encaminhada ao governador Geraldo Alckmin, que indica o novo reitor da Unicamp, assim como faz com USP e Unesp.
O conselho tem autonomia para incluir ou excluir nomes, e o governador pode optar por qualquer um deles, independentemente do resultado. "O Consu tem respeitado os candidatos mais votados e o governador optado por nomeá-los", diz Perez Júnior.
O voto não é obrigatório, mas a participação dos professores é geralmente maciça. Entre os funcionários, cerca de 80% costumam comparecer às urnas. "A participação dos alunos é menor", afirma, acrescentando que o porcentual é variável.
O substituto de Cruz administrará um orçamento estimado este ano em R$ 802 milhões, e cerca de R$ 250 milhões de recursos extra-orçamentários, provenientes de convênios e bolsas. A soma é R$ 250 milhões inferior ao orçamento municipal de Campinas - onde vivem pouco mais de um milhão de habitantes -, estimado em R$ 1,3 bilhão.
Embora não esteja entre as grandes universidades brasileiras em quantidade de alunos, a Unicamp apresenta números expressivos no que se refere a títulos e pesquisas. No ano passado, formou 743 doutores e 1.297 mestres. Dos 2.098 professores, 95% têm titulação mínima de doutor e 92% atuam em tempo integral na universidade.
Em 2004, emplacou 1.760 artigos científicos em publicações internacionais, o que a coloca como um dos centros acadêmicos brasileiros que mais publicam internacionalmente. Há cerca de 3 mil projetos de pesquisa em andamento.
A Unicamp tem ainda o maior número de registros de patentes entre as universidades nacionais. No ranking do País, a universidade ocupa a segunda posição, atrás apenas da Petrobrás. São mais de 300 patentes registradas.