Notícia

Gazeta Mercantil

Unicamp pesquisa resfriamento rápido de frutas e hortaliças

Publicado em 19 outubro 1999

Por Sílvia Simas - de Campinas
O aumento da vida útil comercial de produtos perecíveis fazendo uso da técnica conhecida como resfriamento rápido, que está começando a ser empregada no Brasil, é pesquisada pelo Departamento de Construções Rurais da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É parte de um estudo que vem sendo realizado pela Feagri, cujo foco é tecnologia pós-colheita. O objetivo, segundo o professor Luiz Augusto Barbosa Cortez, é desenvolver tecnologias que permitam uma valorização da produção de frutas e hortaliças. O grupo de pesquisa concentra sua atenção sobre dois pontos: embalagem e resfriamento. "Não existe no País um sistema de embalagem especial de produtos fruti-hortícolas", diz Cortez. Foram feitas parcerias com as empresas Rigesa, Plastgroup, Caixa Plena, Jodiplast e São Rafael, que realizam testes com morangos, laranjas, figos e bananas. Segundo Cortez, a pesquisa também faz parte do Programa Paulista para Melhoria dos Padrões Comerciais e Embalagens de Horti-Granjeiros, iniciado em setembro de 1997. Até o momento, este programa já trabalhou com 12 produtos (seis frutas e seis hortaliças) e deverá prosseguir com os demais perecíveis. Com relação ao resfriamento rápido, utilizado na pesquisa da Feagri, Cortez explica que esta técnica, desenvolvida nos Estados Unidos na década de 50, só começou a ser utilizada no Brasil há uma década. "Isto porque nunca se atribuiu no País muito valor ao produto agrícola". Estão sendo estudadas duas técnicas de resfriamento: por ar forçado e por água gelada. Na primeira, a mais utilizada nos Estados Unidos, um ventilador força a passagem do ar no meio das embalagens. Na técnica da água gelada, o líquido é acionado por uma bomba e distribuído entre os produtos dentro da embalagem. "Os resultados indicam um ganho significativo de tempo de comercialização para produtos como o tomate, o que pode viabilizar o alcance de novos mercados e uma diminuição das perdas que hoje se situam em 40%", afirma Cortez. Com relação aos morangos, os resultados indicam que o resfriamento rápido é uma tecnologia adequada para diminuir as perdas pós-colheita. Para Cortez, a médio prazo, entre oito e dez anos, o País terá mudanças importantes com relação a conservação e armazenamento das frutas e, também, uma grande transformação no mercado atacadista.