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Universia Brasil

Unicamp pesquisa relação entre produção de saliva e cáries

Publicado em 22 agosto 2006

Por Eduardo Geraque, Agência FAPESP

Há mais de 20 anos os pesquisadores conhecem evidências que associam a baixa produção de saliva a um aumento no risco do desenvolvimento de cáries. Mas isso não significa que apenas ingerir mais líquido, por exemplo, seja suficiente para evitar que as bactérias que impactam os dentes humanos se proliferem na cavidade bucal.
"Embora exista essa correlação, não é possível predizer o desenvolvimento da cárie com base exclusivamente nesse parâmetro. Trata-se de uma doença multifatorial. Tanto a dieta com alta freqüência de ingestão de açúcares como a manutenção de placa dental precisam ser levados em consideração", destaca Livia Tenuta, pesquisadora da área de cariologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Um bom fluxo salivar, segundo a especialista, é muito importante por contar com diversos fatores de proteção contra a cárie. "Além da lavagem de substratos e dos ácidos, a saliva também promove a lubrificação dos tecidos moles da boca. Ela também estimula o paladar e colabora na fonação", disse Livia em entrevista à Agência FAPESP.
É por causa de todas essas funções que o baixo fluxo salivar gera outros transtornos, muito mais preocupantes para o paciente do que o desenvolvimento de cárie. "Nesse caso específico, é muito mais eficiente a instituição de terapia com flúor. O problema da saliva, por sua vez, deve ser visto sob outro prisma", disse a pesquisadora da FOP, que ganhou este ano o prêmio Research in Prevention Travel Award, concedido pela International Association for Dental Research (IADR) para a América Latina e México.
Antes de mais nada, assim como ocorre com todas as variáveis biológicas, alguns indivíduos podem apresentar um fluxo acima da média e outros não. Para que seja diagnosticada a existência de hipossalivação como problema clínico, uma série de testes precisa ser feita.
"Isso é mais comum em indivíduos idosos, os quais normalmente usam medicamentos que diminuem a produção salivar. Doenças sistêmicas ou nas glândulas salivares ou ainda a radioterapia na região da cabeça e pescoço também podem fazer surgir o problema da boca seca", explica Livia.
Em todos os casos, o tratamento é complexo e multidisciplinar. A preocupação dos dentistas não é apenas com a cárie, mas com as demais complicações decorrentes. Para estimular o fluxo salivar, uma das medidas adotadas, por exemplo, é o consumo de gomas de mascar sem açúcar. O uso de lubrificantes orais, feito de forma sintética, também pode ser uma saída para que a saúde da boca, como um todo, seja preservada. [FAPESP]