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Universia Brasil

Unicamp pesquisa nova droga para diabetes tipo 2

Publicado em 03 outubro 2006

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a 100 quilômetros de São Paulo, assinou, no domingo, um contrato de licenciamento de tecnologia com a Aché Laboratórios para o desenvolvimento de uma droga inédita para o controle da diabetes tipo 2.
A empresa vai investir inicialmente R$ 2 milhões no Laboratório de Sinalização Celular da Faculdade de Ciências Médicas da universidade para que os cientistas da Unicamp continuem os testes com animais do composto que está sendo desenvolvido há três anos.
O componente químico foi descoberto pela equipe coordenada por Lício Velloso. É uma molécula de DNA alterada, tecnicamente um "oligonucleotídeo", capaz de bloquear a produção da proteína PGC1-alfa que regula o metabolismo humano e o processamento de energia dentro da célula. "Com isso é capaz de fazer o metabolismo produzir mais insulina e ao mesmo tempo ampliar a capacidade de absorção dessa insulina pelos tecidos", disse o pesquisador.
Os produtos existentes no mercado mundial para a diabetes tipo 2 (diabetes melitos), hoje, ou fazem uma coisa ou fazem outra. Com a nova droga, o paciente evita tomar mais de um remédio, o que também barateia o tratamento. E mercado não falta. Estima-se que 10% população mundial seja portadora de diabetes. Do total, 90% é de diabetes tipo 2. No Brasil, são 18 milhões de diabéticos de todos os tipos e cerca de 16 milhões do tipo 2.
Segundo o contrato assinado no domingo, a Unicamp vai receber entre 2,5% a 4% de royalties da empresa dependendo do volume de vendas do produto sobre o faturamento líquido. Como o contrato é de risco, a Unicamp tenta conseguir também R$ 2 milhões junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para investir o mesmo que a empresa.
A parceria vale por cinco anos. É o tempo que leva para os testes nos animais. Depois, a comissão de ética da própria universidade autoriza ou não os testes em humanos. Estes novos testes serão feitos pela empresa, realizados em quatro fases, e também devem demorar outros cinco anos.
No total, são cerca de dez anos para o medicamento chegar da pesquisa ao consumidor. "Certamente iremos fazer outras parcerias com a Unicamp", afirmou o diretor médico-científico da empresa José Roberto Lazzarini. [Tribuna da Imprensa]