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Jornal Tijucas

Unicamp: pesquisa mostra falta de conhecimento sobre plágio por 87% dos estudantes ingressantes

Publicado em 29 outubro 2018

Por Fernando Pacífico / G1 Campinas

Uma pesquisa realizada na Unicamp e divulgada nesta segunda-feira (29) mostra que 87% dos alunos relatam desconhecimento sobre o que é plágio até o momento de ingresso na universidade. O levantamento considera as respostas de 958 alunos, em diferentes cursos de graduação (35% do grupo) e de pós (65%), para questionamentos online feitos entre os meses de agosto e setembro.

O trabalho foi realizado pela consultoria acadêmica Data14, em parceria com a empresa de software educacional Turnitin. Ele indica, por outro lado, que 13% admitem ter aprendido durante o ensino médio acerca do que configura, por exemplo, a cópia de conteúdo em trabalho acadêmico ou qual a maneira correta de fazer citações e referências sobre autores e obras nos estudos.

“Essa foi uma pesquisa para que pudéssemos mapear qual o conhecimento do nosso corpo estudantil sobre o assunto. A partir dos resultados, podemos implementar políticas específicas para eles”, destaca o pró-reitor de pesquisa da Unicamp, Munir Skaf ao considerar que o resultado é esperado, embora veja como positiva eventual abordagem sobre o tema antes do ensino superior. “Acho que são sempre importantes, mas está fora do raio de ação imediato da universidade”, pondera.

 

Conhecimento sobre plágio

‘Aprendi sobre plágio no colégio’: 12,9%

‘Aprendi sobre como fazer citações e referências na universidade’: 64,3%

‘Já ouvi falar, mas tenho dúvidas sobre o que configura plágio’: 22,8%

O estudo na Unicamp também mostra que 98,4% dos entrevistados consideram que o ato é “grave ou gravíssimo”; e que 13,5% dos alunos ouvidos “concordam totalmente” que a prática é decorrente do aprendizado insuficiente sobre as regras de citação, em escala que vai de um a cinco.

Ainda no mesmo levantamento, 4,5% mencionaram “concordar totalmente” que os casos de plágio são sempre intencionais intencionais. Confira gráficos abaixo.

Proposta da universidade

A Pró-Reitoria de Pesquisa planeja desenvolver até o próximo ano um plano de integridade acadêmica para valorização da boas condutas, destaca o pró-reitor.

O levantamento diz que a maioria dos alunos admite baixa participação em debates sobre o assunto, mas apoia a existência de uma política clara sobre integridade acadêmica na universidade.

“São dois os objetivos. Instituir uma política institucional de boas práticas em pesquisas, boas práticas acadêmicas. Nós precisamos estruturar uma política geral para a Unicamp, criar marcos regulatórios, protocolos, explicitar os princípios de conduta aderentes aos nossos valores como universidade. O segundo aspecto, mais especificamente com relação aos alunos e jovens docentes e pesquisadores, é o de promover ações educativas de disseminação de uma cultura de boas práticas para fazer a prevenção”, ressalta Skaf sobre o trabalho que deve integrar pró-reitorias.

De acordo com Skaf, entre as ações que devem ser priorizadas aos ingressantes está o desenvolvimento de atividades como palestras, exibição de filmes, palestras e minicursos.

Participação em conversas sobre o tema no último ano

‘Nunca’: 37%

‘Quase nunca’: 28%

‘Às vezes’: 24%

‘Com frequência’: 8%

‘Muita frequência’: 3%

Skaf não soube informar estatísticas da universidade sobre casos registrados na última década, mas frisou que apurações em anos anteriores, envolvendo pesquisadores, tiveram publicidade.

“Uma publicidade muito pequena, mas é preciso estabelecer políticas para evitar que esse tipo de caso aumente, é nossa função institucional coibir o aparecimento de má conduta […] A criação [das medidas] já estava em nosso radar há algum tempo, estamos acompanhando essa temática muito moderna”, falou ao mencionar códigos existentes, como o da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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