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A Cidade On (Campinas, SP)

Unicamp: mais de um terço de pesquisadores já plagiou conteúdo

Publicado em 03 novembro 2018

Somente 13% dos alunos ingressam na Unicamp sabendo o que é plágio em trabalhos acadêmicos, enquanto 87% chegam sem estarem familiarizados com o tema; e 36% dos graduandos, pós-graduandos e pós-doutorandos já parafrasearam ou copiaram um conteúdo sem citar a fonte original.

Estes são alguns resultados da pesquisa "Integridade acadêmica na Unicamp: o que os alunos pensam?", apresentada em workshop promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) e pela organização internacional Turnitin, na última semana.

O estudo faz parte do eixo de ações educativas e preventivas do programa da PRP visando promover boas práticas acadêmicas na Universidade. "A Fapesp já possui o seu Código de Boas Práticas Científicas desde 2011, assim como a USP desde o ano passado. É uma demanda crescente em todas as boas universidades e agências de fomento do Brasil e do mundo", diz o professor Munir Salomão Skaf, pró-reitor de Pesquisa.

Segundo o pró-reitor, uma frente está responsável por criar políticas gerais como marco regulatório e protocolo, explicitar os princípios de conduta em pesquisa e estabelecer critérios de apuração, deixando claro o que a Unicamp entende como boas práticas acadêmicas e integridade científica.

ERROS EM CADEIA

Sabine Righetti, mestre e doutora pela Unicamp e uma das responsáveis pela pesquisa, esclarece que a má conduta acadêmica implica fabricação ou falsificação de dados ou informações, e plágio ou engano ao reportar dados de outra pesquisa. "Nos interessou mais a questão do plágio. O CNPq criou uma comissão para acompanhar esses casos em 2011 e, no ano passado, a Fapesp anunciou que dentro de alguns anos deixaria de dar apoio a universidades que não tivessem uma clara política de integridade acadêmica", disse.

Ana Paula Morales, doutoranda da Unicamp que apresentou os números do início, explica que a pesquisa teve duas etapas: a primeira por meio de questionário disparado para todos os alunos de graduação, pós e pós-doc (quase 40 mil) e a segunda com entrevistas coletivas junto a grupos focais.

"Recebemos 958 respostas, 35% de estudantes da graduação e 65% da pós-graduação, com uma divisão homogênea em termos de sexo e participação de todas as áreas. Na graduação, 48% já tinham feito ou faziam iniciação científica. A maioria acha que o plágio não é intencional, com justificativas como falta de tempo, de planejamento, dificuldades para escrever e desconhecimento das regras. Mais de 90% concordam que é importante a Unicamp ter uma política de integridade acadêmica."