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Correio Popular

Unicamp lidera em patentes no País

Publicado em 17 novembro 2001

Por Renata Freitas - Do Correio Popular - rfreitas@cpopular.com.br
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é campeã em patentes registradas entre as instituições de ensino superior do Brasil. Atualmente, a universidade possui o registro de 184 patentes. No entanto, as patentes já registradas pela Unicamp somam mais de 200, se incluídas as que já superaram o prazo de vida útil de 20 anos, depois do qual a patente torna-se de domínio público. Dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mostram que durante a década de 90, as universidades brasileiras depositaram 355 pedidos de patentes. Destes, 125 pertenciam à Unicamp. A segunda instituição com maior número de patentes depositadas segundo a pesquisa, foi a Universidade de São Paulo, com 76. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) figurava em terceiro, com 39 patentes. O superintendente do Centro de Tecnologia da Unicamp, professor Douglas Zampieri, credita o recorde da Unicamp à cultura de geração e proteção de conhecimento da instituição. "A Unicamp é voltada às áreas de tecnologia, tem professores em tempo integral e se preocupou em criar um escritório específico para a proteção do conhecimento", ressalta. O Escritório de Difusão e Serviços Tecnológicos (Edistec) da Unicamp foi criado na década de 90 com o objetivo de difundir a importância da proteção do conhecimento e dar apoio ao docente interessado em encaminhar o pedido de patente ao Inpi. O Edistec, através do advogado Pedro Emerson de Carvalho e do especialista em propriedade industrial Ciro de Ia Cerda, acompanha todo o processo do pedido junto ao Inpi. "O conhecimento já está protegido desde o minuto em que o protocolo dá entrada no Inpi, no entanto, a patente só é concedida em média entre' cinco e oito anos depois", explica de Ia Cerda. Segundo ele, as áreas de química e de engenharia mecânica são as que concentram maior número de patentes na universidade. A morosidade da autarquia é criticada pelo professor da Faculdade de Engenharia Mecânica Rodnei Bertazzoli, que tem 12 patentes registradas em seu nome. "Se os pedidos aumentarem, e esta é a tendência, o Inpi terá que se modernizar para acompanhar esse crescimento", avalia. O advogado do Edistec, Pedro Emerson de Carvalho, explica que o Inpi realiza uma pesquisa minuciosa em todos os bancos de patentes do mundo. "São feitas confrontações e, caso haja alguma dúvida! em relação à patente solicitada, o Inpi pede argumentos ao inventor, para que ele apresente uma defesa técnica", afirma. Segundo ele, as áreas de química e farmácia são as que demoram mais para ter suas patentes registradas. RECORDISTA FOI ENTREVISTADO PELA REVISTA FORBES O grande recordista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em número de patentes registradas é o professor do Departamento de Físico-Química Nelson Duran. Com 29 patentes em seu nome atualmente, Duran diz que só soube do recorde quando a revistanorte-americana Forbes fez uma entrevista com ele sobre o assunto, em agosto último. Duran conta que três destas patentes estão em vias de ser comercializadas. "Vender patente é complicado porque ainda falta uma maior credibilidade das empresas em relação às universidades", avalia. Outro empecilho citado pelo pesquisador é a necessidade de as empresas investirem nos projetos patenteados. "As pesquisas são feitas em pequena escala, nos laboratórios, então antes de disponibilizar o produto para o mercado é preciso verificar se ele se adequa à produção industrial, em larga escala", ressalta. As patentes de Duran se concentram em duas, áreas principais, voltadas para a recuperação do meio ambiente: biotecnologia ambiental e bioremediação. Chileno naturalizado brasileiro, Duran ressalta as facilidades de trabalho encontradas na Unicamp, uma universidade que, na opinião dele, tem nas pesquisas uma de suas prioridades. A mesma preocupação com a preservação ambiental têm os projetos patenteados desenvolvidos pelo professor do Departamento de Engenharia de Materiais Rodnei Bertazzoli. Com 12 patentes registradas, ele informa que duas estão em processo de transferência de tecnologia para pequenas empresas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "São processos para o desenvolvimento de reatores eletroquímicos para efluentes industrias", conta. Os reatores, segundo ele, podem ser empregados por grandes indústrias, visando retirar os poluentes da água que sobra dos processos de produção. Assim, a água pode [ voltar para os rios ou ser reutilizada, economizando o consumo do líquido e evitando a poluição dos mananciais. (RF)