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Unicamp lança 'Refúgio Acadêmico' para receber estudantes de países em conflito (88 notícias)

Publicado em 05 de maio de 2022

Por Flávia Mantovani

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Neste ano, dois afegãos e duas afegãs que tiveram seus estudos interrompidos pela ascensão do regime fundamentalista Talibã ganharam a chance de recomeçar a vida universitária em uma instituição de ponta no Brasil.

Alunos de cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), eles são os primeiros participantes de um novo projeto da instituição voltado para acadêmicos em situação de risco.

O programa Refúgio Acadêmico, lançado no dia 27 de abril, oferece acolhida humanitária a estudantes e pesquisadores afetados por conflitos ou perseguição em seus países de origem.

Além de ofertar financiamento a esses estrangeiros por meio de bolsas, o programa também os apoia em toda a sua trajetória de migração, da obtenção do visto e da locomoção para o Brasil até as aulas de português na chegada, hospedagem, alimentação, assistência médica e outras etapas da integração deles e de suas famílias.

"É um programa institucional de acolhimento que articula várias frentes da universidade e aproveita a estrutura que já temos para dar suporte a eles: hospital, atendimento psicológico, moradia, restaurantes", explica a professora Ana Carolina Maciel, presidente da Cátedra Sergio Vieira de Mello na Unicamp.

A cátedra, existente em 28 instituições brasileiras e ligada ao Alto Comissariado das Nações Unidas para refugiados (Acnur), é voltada para pesquisa, extensão e ensino vinculados ao tema do refúgio. Um de seus programas é o ingresso especial nas universidades para refugiados, que no caso da Unicamp conta com 15 vagas disponíveis.

O projeto atual, porém, exige uma série de requisitos, como a pessoa já estar no Brasil, com status de refugiado aprovado, dominar o português e ter interrompido um curso superior no país de origem.

"Estamos flexibilizando essas regras e criando um projeto mais ativo, que aceita apátridas, solicitantes de refúgio, pessoas que não necessariamente deixaram um curso em seu país de origem", diz Maciel. "Vivemos a era dos deslocamentos forçados e temos que nos instrumentalizar para receber melhor as pessoas afetadas por essas crises humanitárias."