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Correio Popular

Unicamp inicia sucessão na reitoria

Publicado em 10 março 2009

Por Maria Teresa Costa

A comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) irá escolher, amanhã e quinta-feira, quem irá dirigir pelos próximos quatro anos uma instituição de Ensino Superior com orçamento de R$ 1,46 bilhão, e que é responsável por 15% da produção científica nacional e por 12% das teses de mestrado e doutorado geradas no País. Disputam a consulta à comunidade acadêmica, que desta vez ocorrerá em único turno, o atual vice-reitor Fernando Ferreira Costa e a diretora do Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), Gláucia Maria Pastore.

Com base no resultado da consulta à comunidade universitária, o Conselho Universitário (Consu) irá elaborar a lista tríplice para encaminhar ao governador José Serra (PSDB), que então escolherá quem irá comandar a Unicamp de 20 de abril de 2009 a 19 de abril de 2013. Os dois candidatos, como é tradição, estarão entre os indicados, e o Consu irá ainda escolher o terceiro nome. Embora tenha registrado a candidatura à reitoria, o terceiro candidato, o professor da Faculdade de engenharia elétrica Edson Moschim, desistiu de participar da disputa, alegando motivos pessoais.

Na consulta, a ponderação dos votos de cada categoria ocorre de acordo com o que prevê o Estatuto da Universidade, obedecendo a seguinte proporcionalidade: 3/5 para os votos dos docentes, 1/5 para os votos dos funcionários e 1/5 para os votos dos alunos.

O reitor que for escolhido terá sob sua responsabilidade garantir a excelência de uma universidade que hoje tem 58 cursos de graduação onde estão matriculados 16.984 alunos, 125 de pós-graduação com 15.230 alunos, além dos colégios técnicos. Seus 1.743 docentes, dos quais 97% com titulação mínima de doutor e 88% atuando em regime de dedicação exclusiva, seguem liderando a produção per capita de artigos científicos publicados em revistas internacionais indexadas. A densidade de seus produtos científicos, muitos dos quais de aplicabilidade social imediata, manteve a Unicamp no topo da lista dos principais geradores e licenciadores de patentes no País.

Além do ensino e pesquisa, a Unicamp tem forte relação com a sociedade, por meio dos serviços prestados, especialmente na área da saúde. Seus três hospitais tornam a universidade o maior centro de atendimento médico do Interior, recebendo pacientes de 90 municípios da região, onde vivem 5 milhões de pessoas.

Reitoráveis têm planos com metas ambiciosas

Intenção é colocar a Unicamp entre as melhores universidades do mundo

Os reitoráveis Fernando Costa e Gláucia Pastore querem transformar a Unicamp em uma das melhores universidades do mundo. Aqui eles comentam os desafios e os planos para os próximos quatro anos.

Correio Popular - Qual será o maior desafio para os próximos quatro anos?

Fernando Costa - Manter e elevar ainda mais o padrão de qualidade da Unicamp em todas as suas áreas de atuação — na produção de conhecimento, na formação de pessoas e na extensão de serviços à comunidade — buscando incluí-la, em seus aspectos fundamentais, entre as cem melhores universidades do mundo.

Gláucia Pastore - Nossa plataforma reconhece a construção da Unicamp como fruto cumulativo de distintas gerações de professores, funcionários e alunos, e de distintas administrações. Por isso, entende-se, como os maiores desafios, a preservação das conquistas, do espaço já conquistado pela nossa universidade, bem como a correção de rumos e a valorização da atividade de ensino e das carreiras de docentes e funcionários.

Na sua gestão, como a universidade irá restituir os recursos que são investidos pela população?

Fernando Costa - Ao educar, formar pessoas que são lideres em todos seus campos de atuação, pesquisar e produzir conhecimentos essenciais para o desenvolvimento do País e levar a efeito a extensão de serviços e conhecimentos à sociedade, a Unicamp restitui amplamente os recursos nela investidos. Nossa gestão tem como objetivo consolidar e ampliar o papel da universidade como a mais importante universidade brasileira.

Gláucia Pastore - A universidade restitui os recursos nela investidos pela formação de profissionais qualificados, pelas suas pesquisas socialmente relevantes e pela prestação de serviços à comunidade. Destaque-se a área de saúde que atende toda a região metropolitana. A Unicamp sempre contribuiu fornecendo os mais capacitados nas administrações públicas e privadas. Os estudos da Unicamp têm embasado os planejamentos e execuções das políticas públicas dos municípios, estados e do governo federal.

A Unicamp vai crescer em sua gestão? Em que áreas?

Fernando Costa - Nossa proposta contempla crescimento expressivo dos investimentos em ensino, pesquisa e extensão, com ênfase em atividades multidisciplinares e na criação de novas áreas de atuação que sejam importantes para o desenvolvimento do País. Deveremos consolidar e finalizar as expansões recentemente aprovadas pelo Conselho Universitário — como, por exemplo, o novo campus em Limeira —, embora seja importante ressaltar que o crescimento quantitativo estará sempre subordinado a uma série de fatores, um dos quais é a disponibilidade dos recursos.

Gláucia Pastore - A Unicamp vai crescer nas linhas definidas democraticamente pela comunidade, particularmente através do planejamento estratégico. O primeiro passo é garantir a reposição dos aposentados para reverter a diminuição dos quadros de docentes e funcionários e assim viabilizar a manutenção da qualidade de ensino e de pesquisa da universidade.

Na sua gestão a ênfase será na graduação ou na pós-graduação?

Fernando Costa - Haverá ênfase no ensino como um todo, mas estão previstos investimentos e reestruturação nos cursos de graduação de modo a torná-los ainda melhores do que já são tudo isso acompanhado de uma análise aprofundada de sua estrutura curricular visando à modernização de seus conteúdos e disciplinas onde isto se fizer necessário. Na pós-graduação haverá ênfase em cursos multidisciplinares e buscaremos elevar o nível dos poucos programas que ainda não alcançaram o nível de excelência. Em ambos os níveis pretendemos incrementar significativamente o intercâmbio internacional de alunos e professores.

Gláucia Pastore - Nossa proposta dá forte ênfase ao ensino de graduação e de pós-graduação bem como a sua integração. Entre propostas específicas para o ensino, destacam-se: valorização docente; consideração efetiva da avaliação dos professores pelos alunos como item relevante da avaliação global do docente; melhorias de instalações, tanto em termos pedagógicos gerais quanto com vistas à acessibilidade de portadores de deficiência; atenção às condições de permanência estudantil.

Quando seu mandato for concluído, como gostaria que sua atuação na reitoria fosse reconhecida?

Fernando Costa - Gostaríamos que o quadriênio 2009-2013 fosse lembrado como aquele em que a Unicamp galgou posições importantes e seja comparável as melhores universidades do mundo em todas suas áreas de atuação, o que quer dizer que ela terá melhorado seu desempenho segundo todos os indicadores de qualidade, sejam acadêmicos, científicos, culturais ou de gestão. Desse, modo a Unicamp será a universidade mais importante para o progresso da sociedade brasileira.

Gláucia Pastore - Reconhecida pela efetiva implantação da gestão democrática, com o cumprimento do nosso Programa de Gestão, tendo promovido as mudanças propostas com sensibilidade em atendimento aos anseios da comunidade universitária.

SAIBA MAIS

Veja a trajetória acadêmica dos candidatos

Fernando Costa — Médico pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), colou grau em dezembro de 1974. Após a residência médica, em 1977 ingressou no curso de pós-graduação de clínica médica na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Completou o mestrado em 1979 e o doutorado em 1981. Foi então contratado como professor assistente doutor no Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, onde permaneceu de 1979 a 1985. Após concurso público foi contratado como professor doutor no Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), em 1985; onde no ano seguinte foi aprovado em concurso para professor livre-docente. Fez estágio de pós-doutorado no período de 1987 a 1989 na Yale Scholl of Medicine, Yale University, EUA. Retornando ao Brasil foi então admitido na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp em 1990 no Departamento de Clínica Médica, onde em 1996 foi aprovado em concurso público como professor titular em hematologia e hemoterapia. Foi eleito pela comunidade como Diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, no período de 1994 a 1998. Orientou até o momento 18 alunos de doutorado e 22 de mestrado. Publicou cerca de 260 trabalhos completos, em periódicos de circulação internacional, entre os quais Nature, New England Journal of Medicine, PNAS-USA, Lancet, Blood, Journal of Biological Chemistry e Journal of Clinical Investigation. Foi membro da Coordenação da Área de Saúde da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Comitê de Medicina e Farmácia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). É pesquisador I-A do CNPq desde 1990. Recebeu vários prêmios pela produção científica entre os quais se destaca o prêmio de Mérito Científico e Tecnológico do governo do Estado de São Paulo em 2000, o Prêmio Scopus, conferido pela destacada produção científica, no conteúdo da base de dados Scopus e orientações de teses, Elsevier-2006, e o Prêmio Estácio Gonzaga como melhor trabalho em hematologia geral, Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia 2007. Foi Pró-reitor de Pesquisa da Unicamp na gestão 2002-2005 e atualmente é coordenador geral da universidade.

Gláucia Maria Pastore — Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq (nível 1A), concluiu o doutorado em ciência de alimentos pela Unicamp em 1992. Graduou-se em ciências biológicas (1976) e fez seu pós-doutoramento em Food Science na Ohio State University, EUA, em 1993. É professora titular desde 2006. Publicou mais de cem artigos em periódicos especializados e 152 trabalhos em anais de eventos. Possui dez capítulos de livros e dois livros publicados. Possui duas patentes de produto e duas de processo tecnológico. Participou de 25 eventos no Exterior e 90 no Brasil. Orientou 25 dissertações de mestrado e 20 teses de doutorado, alem de ter orientado 35 trabalhos de iniciação cientifica na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Recebeu oito prêmios e/ou homenagens. Atualmente coordena dois projetos de pesquisa (Fapesp e CNPq). Atua na área de ciência e tecnologia de alimentos, com ênfase em alimentos funcionais. Em suas atividades profissionais interagiu com 154 colaboradores em coautorias de trabalhos científicos. É membro do corpo editorial de revistas científicas da área, tais como Journal of Food Science, Journal of Food Science and Biotechnology. Foi condecorada com o prêmio Zeferino Vaz no ano de 2001 e pela International Academy of Food Science & Technology em 2008. Membro eleito do Conselho de Coordenação do International Union of Food Science and Technology (IUFoST), a partir de 2005. É diretora em segunda gestão da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), membro da Câmara de Ensino e Pesquisa (Cepe), do conselho curador da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Foi representante de MS-5 junto ao Conselho Universitário (Consu) por duas gestões, presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA) por duas gestões e vice-presidente por quatro gestões. É presidente do comitê organizador do Simpósio Latino-Americano de Ciências de Alimentos (SLACA) em sete edições. Foi chefe do Departamento de Ciências de Alimentos da FEA por duas gestões e coordenadora de pós-graduação do programa em ciência de alimentos.