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Correio Popular

Unicamp ganha 3 centros de pesquisa

Publicado em 23 maio 2013

Por Maria Teresa Costa

Três novos centros de pesquisa serão instalados em Campinas com recursos oriundos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que irá abrigar as unidades, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Eles são parte de 17 Centros de Pequisa, Inovação e Difusão (Cepid) que estão sendo criados no Estado e que receberão financiamento de US$ 680 milhões por um período de 11 anos. É um dos maiores investimentos em programa de pesquisa apoiado por agência de fomento já anunciados no Brasil, informou a Fapesp.

Na Unicamp serão instalados o Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia, o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades e o Centro de Pesquisa em Ciência e Engenharia Computacional. Os recursos – o orçamento de cada centro ainda está sendo analisado – irão financiar pesquisadores, pessoal técnico e de apoio e infraestrutura. As instituições-sede pagarão os salários, num total de US$ 310 milhões. As unidades contarão ainda com fundos adicionais aportados por indústrias parceiras e por outras agências de fomento à pesquisa.

Os 17 Cepids irão reunir 535 cientistas do Estado de São Paulo e 69 de outros países – na condição de pesquisadores principais ou associados. “O financiamento de grande porte e de longo prazo permite ousar nos objetivos de pesquisa, garante a consolidação da equipe e, ao mesmo tempo, confere maior escala à pesquisa científica e tecnológica no Estado”, afirmou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

O Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia, coordenado pelo professor Fernando Cendes, investigará os mecanismos básicos da epilepsia e do acidente vascular cerebral, assim como as lesões associadas. A pesquisa tem aplicações relacionadas à prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação e contribuirá para a melhor compreensão da função cerebral. As investigações envolvem as áreas de genética, neurobiologia, farmacologia, neuroimagem, ciências da computação, robótica, física e engenharia.

O Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades, com a coordenação do professor Lício Augusto Velloso, terá como desafio buscar soluções para a obesidade, doença que resulta de um desequilíbrio entre a ingestão calórica e o gasto energético, geralmente associado a diabetes, hipertensão, aterosclerose e alguns tipos de câncer. Apesar do grande avanço na caracterização dos mecanismos de controle da fome e da termogênese, a complexidade dos circuitos neurais e as dificuldades anatômicas para os estudos do hipotálamo humano dificultam o tratamento da obesidade. Além de compreender os seus mecanismos, o Centro buscará novas abordagens farmacológicas, nutricionais e físicas para o problema. Investirá, ainda, em programas de orientação preventiva para alunos do Ensino Médio e idosos e em métodos de triagem para a detecção de doenças associadas, em estreita relação com a indústria.

O Centro de Pesquisa em Ciência e Engenharia Computacional, segundo a Fapesp, desenvolverá e aplicará técnicas de modelagem computacionais avançadas para solucionar problemas de fronteira em engenharia da computação e ciências. Coordenado pelo pesquisador Munir Salomão Skaf, as investigações têm aplicação nas áreas de nanomateriais, sistemas biomoleculares complexos, de interesse para a saúde humana e bioenergia, bioinformática, materiais particulados, porosos e geofísica computacional, entre outros. O Centro abrigará uma divisão de Transferência de Tecnologia e contará também com urna unidade de Educação, Ciência e Divulgação, responsável pela organização e execução de atividades baseadas especialmente no desenvolvimento de materiais de e-learníng voltados para professores e alunos da rede pública de ensino.

Conhecimento será transferido para a sociedade

Os Cepids desenvolvem pesquisas científicas na fronteira do conhecimento e, ao mesmo tempo, a transferência dos seus resultados para diferentes níveis do governo, de forma a subsidiar políticas públicas; para o setor privado, na forma de novas tecnologias; e para estudantes e professores do Ensino Médio, por meio de cursos de extensão, graduação e pós-graduação. A característica mais importante dos Cepids, segundo a agência de fomento, é a multiplicidade de suas missões. Na base de suas atividades, um Cepid tem como missão central constituir um centro de classe mundial em pesquisa no foco de seu interesse. Eles devem também aproveitar as oportunidades de fazer transferência de conhecimento para benefício da sociedade. A intensidade e os mecanismos podem variar de acordo com a natureza e o foco da pesquisa. O Centro deve desenvolver parcerias com empresas ou com organizações responsáveis por implementar políticas públicas.

(MTC/AAN)

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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