Notícia

BOL

Unicamp estuda nova modalidade de transplante de medula

Publicado em 06 junho 2006

Por Maurício Simionato, da Agência Folha, em Campinas
Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolvem um estudo que deve possibilitar a introdução --de forma experimental no Brasil-- de uma nova modalidade de transplante de medula óssea, voltada ao tratamento de pacientes portadores de leucemias agudas.
A técnica, chamada de "transplante haploidêntico", consiste em manipular as células de um doador parcialmente compatível para que elas sejam aceitas pelo organismo do receptor. Haploidênticos são pacientes que têm apenas 50% de compatibilidade de medula óssea com familiares.
A vantagem da nova técnica em relação aos procedimentos convencionais está fato de ela não depender da disponibilidade de um doador totalmente compatível. Isso pode reduzir filas de transplante de medula.
O Conselho de Ética e Pesquisas da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp já aprovou a nova técnica. A universidade enviou projeto à FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) na tentativa de obter recursos para os laboratórios.
O objetivo dos pesquisadores é que a técnica comece a ser testada no primeiro semestre do ano que vem em pacientes. Para isso, a idéia é selecionar 20 portadores de leucemia mielóide aguda com indicação de transplante, mas que não tenham encontrado um doador compatível.
De acordo com o hematologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Cármino Antonio de Souza, a nova técnica é bastante "promissora", mas os resultados "não são definitivos". Os testes experimentais em humanos ocorrem nos EUA, Alemanha e Itália.
No Brasil, a técnica é estuda na Unicamp e na USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto (SP). Segundo Cármino Souza, os pacientes serão escolhidos entre os indicados por centros de saúde de referência.
A leucemia é um tipo de câncer que compromete os glóbulos brancos (leucócitos). A medula óssea é um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, no qual são produzidos os componentes do sangue. Dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) --órgão ligado ao Ministério da Saúde-- indicam que de três a quatro pessoas num grupo de 100 mil habitantes têm a doença por ano.
Geralmente, quem cede o material é um parente do doente, como irmão de mesmo pai e mãe. No transplante haploidêntico, a identificação do doador fica facilitada porque ele pode ser parcialmente compatível --basta que o doador da medula óssea tenha características análogas.
Para reduzir o risco de rejeição, os médicos coletam do doador uma dose elevada de células-tronco e as manipulam para serem enxertadas no paciente.