Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Unicamp estuda anemia nascida em célula-tronco

Publicado em 22 agosto 2005

Sangue

Vinte anos atrás alguns casos incomuns de anemia começaram a chamar a atenção no Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em vez de adultos jovens, como habitualmente, eram os idosos que apresentavam uma expressiva redução na taxa de hemoglobina, molécula encontrada no interior das células vermelhas responsável pelo transporte de oxigênio e pelo vermelho vivo do sangue. Mais intrigante: a anemia dos idosos não cedia ao tratamento convencional, à base de vitaminas e suplementos de ferro.

As médicas hematologistas Irene Lorand Metze e Sara Saad, que trataram esses casos, constataram: a causa dessa anemia não era a carência de nutrientes essenciais à produção das células vermelhas ou hemácias como o ferro e as vitaminas do complexo B.

A origem do problema era bem mais complexa: estava nas células-tronco da medula óssea, da qual se originam as três famílias de células sangüíneas - as vermelhas, as brancas e as plaquetas. Não se tratava, portanto, de anemias resistentes a tratamento, mas de uma das formas de um grupo de doenças raras chamadas síndromes mielodisplásicas ou mielodisplasias, cujo tratamento até hoje desafia a ciência médica, embora suas causas sejam mais bem conhecidas.

Com características semelhantes às da leucemia mielóide aguda - a forma mais freqüente de leucemia aguda em adultos -, as mielodisplasias alteram a composição sangüínea por dois mecanismos opostos. Ambos ocorrem na medula óssea, o tecido que preenche os grandes ossos do corpo, no qual as células do sangue se formam e se desenvolvem antes de serem lançadas às veias e artérias.
Agência Fapesp