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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Unicamp e Immunoassay assinam contrato de exploração comercial

Publicado em 13 novembro 2008

Um avanço tecnológico de Unicamp permitirá a exploração comercial de um produto, o TF-Test, que detecta com maior efetividade as parasitoses intestinais. O projeto, que tem o apoio do Pipe da Fapesp e que conta ainda com parceria com a USP, foi possível graças à assinatura de um contrato nesta quinta-feira no auditório da Agência para a Formação Profissional (AFPU) pelo reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, e pelo diretor da empresa de material hospitalar e laboratorial, Immunoassay, Cláudio Henrique Pires. O produto, que já começou a ser comercializado na Fiocruz, na USP e no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, envolveu primeiramente a concepção de uma técnica mais sensível, com um novo kit, mais a automatização do processo em etapa posterior.

Ao assinar o contrato, Tadeu Jorge afirmou que a sociedade está diante de um resultado que coloca a parceria como o centro da questão. "Foi uma longa negociação e incluiu uma boa fase de adaptação pela empresa, mas outros avanços e algum aperfeiçoamento devem ainda acontecer. Portanto, não colocamos aqui um ponto-final, pois, em breve, estaremos diante de novas entregas para a sociedade", garantiu. O reitor agradeceu à Agência de Inovação Inova Unicamp, por ser importante agente para minimizar as dificuldades no processo, e à Immunoassay, por acreditar no projeto e viabilizar a confecção do produto.

Jancarlo Gomes, que realiza pós-doutorado no Instituto de Computação (IC) da Unicamp, é pesquisador no Instituto de Biologia (IB) e um dos desenvolvedores do projeto, recordou que 1/3 da população mundial apresenta uma espécie de parasito e cerca de 2 a 3 milhões de pessoas vão a óbito em sua decorrência. "Desta forma, trata-se de uma amostra bastante significativa e que beneficiará a população de modo geral", realçou. Jancarlo relata que os maiores vilões das parasitoses são a falta de higiene, hábitos de vida, condições de vida e de moradia inadequadas.

Segundo ele, que apresentou tecnicamente o produto ao público na AFPU, este projeto já é nomeado entre os 60 melhores da Fapesp e possui um forte apelo social, pelo seu componente de inovação. Ele explicou que as técnicas em uso foram desenvolvidas há muitas décadas e que a rápida disseminação dos parasitos sobrepujou-as, tal sua 'inteligência'.

O novo kit, comercializado por R$ 2,29, tem três tubos coletores, apresenta um líquido preservador e é distribuído em saquinhos plásticos com as instruções para ser entregue aos laboratórios de análises clínicas. Os três tubos são processados e centrifugados, eliminando impurezas, para concentrar o conteúdo coletado. O kit é descartável, está de acordo com as normas de biossegurança e proporciona ao técnico o mínimo contato com ele. "Este kit trará muitos benefícios para a sociedade, mas os avanços não devem parar por aí. Erros de procedimento e de interpretação são viéses a serem considerados em outras investigações", alertou Jancarlo.

De acordo com Cláudio Pires, o tema se reveste de grande importância, por conta da sua incidência. O TF-Test abrange todas as espécies parasitárias e com a leitura de apenas uma lâmina é possível diminuir os custos laboratoriais e chegar a um resultado com maior rapidez, apesar de obstáculos como verba insuficiente do SUS e as diferentes estruturas das prefeituras, às vezes com estrutura própria e outras com serviços terceirizados. "Mesmo assim, a Immunoassay prossegue confiante com vistas ao futuro, fortalecida pela cooperação com a Unicamp", festejou.

Para Sumie Shimizu, especialista na área de Parasitologia da USP e também participante do projeto, falta patentear o processo de fabricação, pois é muito diferente estar nas bancadas dos laboratórios, com os protótipos, e outra é ser levado para a indústria. "É preciso um diálogo mais aberto entre pesquisadores e empresários. Muitas coisas não estão previstas nas entrelinhas dos projetos de pesquisa", destacou.