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Unicamp é 2ª em produção e só em repasse

Publicado em 15 agosto 2005

Por Rogério Verzignasse

Apesar de responder por 11% dos trabalhos científicos nacionais, universidade tem recursos minguados para a manutenção de pesquisas
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), segunda do País em produção científica, ocupa a modesta 23ª colocação no ranking das instituições que mais recebem recursos federais para o fomento da pesquisa.
a última chamada do Fundo Setorial de Infra-Estrutura (CT-Infra), que existe há quatro anos, a universidade campineira recebeu R$ 1,7 milhão para a manutenção de laboratórios e a compra de equipamentos.

Para se ter uma idéia da modéstia do repasse, o fundo distribuiu nesta chamada cerca de R$ 110 milhões às universidades brasileiras. São Paulo ficou com 31% dos recursos, apesar de suas universidades serem responsáveis por 52% da produção científica nacional.

A Unicamp, a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Paulista (Unesp), que juntas respondem por 45% da produção, ficaram com apenas 7% do repasse total do CT-Infra.

A maior produtora nacional de pesquisa, a USP, ficou com cerca de R$ 2,8 milhões na mesma chamada (sétima colocação no ranking).
As quatro primeiras colocações, com recursos entre R$ 6 milhões e R$ 3 milhões, são ocupadas por instituições federais: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo representantes das universidades paulistas, o Estado vem sendo "discrimado" na divisão de verbas elaborada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Há consenso de que São Paulo paga pela própria eficiência. Além de ser o mais rico do País, o Estado conta com um sistema próprio para o fomento das pesquisas: 1% da carga tributária estadual é investido na área pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

"Como São Paulo possui uma agência modelo para distribuir verbas às universidades, Brasília talvez acredite que não precisa se preocupar conosco", disse o pró-reitor de Pesquisa da Unicamp, Daniel Pereira.
A tese é rebatida pela Finep. De acordo com o presidente do órgão, Odilon Marucuzzo do Canto, empossado na última semana, não existe discriminação. Ele explica que algumas universidades ganham mais após a análise dos projetos, feita por representantes da comunidade científica de todo o País. Ele admite, sim, que há escassez de recursos para uma demanda muito grande.

O pró-reitor, no entanto, afirma que os métodos para análise dos projetos precisam ser mudados. No último encontro para definição dos repasses, no final de 2004, havia 80 pesquisadores representando a comunidade científica nacional. Nenhum era da Unicamp, instituição responsável por 11% da pesquisa científica brasileira. "É digna de elogios a medida do governo federal em descentralizar recursos", afirma Pereira. "Mas este método deixa de considerar a excelência no setor."

Campinas lidera ranking internacional
Apesar de receber recursos federais modestos para o financiamento de pesquisas, a Unicamp aparece como a maior produtora científica brasileira per capita, em levantamento do Institute for Scientific Information (ISI), principal indexador mundial de publicações especializadas.

A instituição campineira teve, em 2004, 1.870 trabalhos publicados nas revistas indexadas pelo instituto norte-americano.
De acordo com os índices divulgados, os pesquisadores brasileiros produziram naquele ano 14.920 artigos científicos, o que colocou o Brasil em 17º lugar no ranking mundial, à frente de países tradicionais no setor, como Taiwan, Bélgica e Israel.

O desempenho, segundo o pró-reitor de Pesquisa da Unicamp, Daniel Pereira, é um incentivo para que a instituição crie mecanismos para captar recursos e fomentar mais pesquisas.
Este é, a seu ver, o grande desafio dos pesquisadores campineiros para os próximos anos. "A evolução do empenho depende basicamente da capacidade de arrecadar mais", diz.

Atuam hoje na Unicamp 1,8 mil pesquisadores. Pereira explica que a USP possui o maior índice de pesquisa científica em números absolutos (26% de toda a produção brasileira). Mas lá, avalia, atuam quase 5 mil esquisadores.