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Agência Estado

Unicamp desenvolve embalagem ecológica

Publicado em 23 março 2000

Por Por Clayton Levy
Campinas - A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu um novo material que substitui o poliestireno expandido, mais conhecido pela marca isopor. Produzido à base de fibras vegetais, a bioespuma, como está sendo chamada, decompõe-se em três anos, enquanto o produto convencional leva pelo menos cinco séculos para desaparecer. O novo material, que também apresenta um custo de produção menor, está sendo lançado no mercado esse mês. "A bioespuma é produzida com matérias primas de fontes renováveis", diz o químico Ricardo Vicino, coordenador da pesquisa. Segundo ele, na composição do material há 70% de matérias vegetais, como cana-de-açúcar, amido de milho, e óleos de soja e mamona. "Estes elementos se decompõem em contato com a terra porque sofre facilmente a ação de fungos e bactérias", explica. Atualmente, são consumidos no Brasil cerca de 50 toneladas de poliestireno expandido por ano. Utilizado largamente em embalagens, o material oferece poucas opções de reciclagem. Uma das dificuldades é a sua baixa densidade, que impõe a necessidade de acumular grandes quantidades para poder reaproveitá-lo. Queimá-lo pode significar crime ecológico, já que o material exala gases tóxicos. MATERIAL De acordo com Vicino, pesquisadores do exterior vêm tentando há tempos desenvolver um novo material semelhante ao poliestireno expandido que não agrida o meio ambiente. Segundo ele, porém, as experiências realizadas até agora exigiram tratamentos químicos complexos e altos investimentos. "A bioespuma é o primeiro material eficaz nessa área, porque mostra uma relação compatível entre custo e benefício", afirma. Desenvolvido em parceria com a empresa Kehl Polímeros, de São Carlos, o novo material representará economia para os exportadores nacionais. Atualmente, os produtos nacionais acondicionados em poliestireno expandido sofrem uma sobretaxa de importação, que é revertida para dar destinação correta à embalagem. "É o preço que os países desenvolvidos cobram para se desfazer do lixo", diz o pesquisador. A bioespuma, segundo Vicino, também será útil à agricultura. Como exemplo, ele cita as mudas utilizadas em reflorestamento, que têm de ser acondicionadas em tubetes de plástico esterilizados. "O novo material pode ser deixado na terra até desaparecer", garante o pesquisador. Iniciadas em 1994, as pesquisas para desenvolver a bioespuma absorveram investimentos da ordem de R$ 700 mil. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) contribuiu com R$ 50 mil, dentro do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe).