Notícia

Vale Paraibano

Unicamp descobre 70 espécies no fundo do mar

Publicado em 15 maio 2005

Por Marcelo Claret, Caraguatatuba
Departamento de Zoologia da Unicamp descobre 70 novos tipos de moluscos, crustáceos e seres vivos no Litoral Norte

Cerca de 70 novas espécies da fauna bentônica --moluscos, crustáceos, minhocas e outros seres vivos que habitam o fundo do mar-- foram encontradas em praias de São Sebastião, Ubatuba e Caraguatatuba.
A descoberta foi feita por pesquisadores do Departamento de Zoologia do Instituto de Biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que começaram a estudar a vida marinha no Litoral Norte há quatro anos.
A maioria das novas 70 espécies pertence à meiofauna --animais muito pequenos achados entre os grãos de areia. O restante representa a macrofauna (com tamanho superior a meio milímetro de diâmetro).
A maior concentração desses exemplares foram observadas nas praias de São Francisco e Toque-Toque Grande, em São Sebastião, Picinguaba e Itamambuca, em Ubatuba, e Enseada e Camaroeiro, em Caraguá.
Segundo a coordenadora do projeto, a bióloga Cecília Amaral, os novos seres encontrados não estão descritos na literatura especializada em fauna bentônica de todo o mundo.
Até agora, o grupo já identificou 1.700 diferentes tipos de espécies na região. Ao todo, foram coletados 365 mil animais nas areias e rochas das praias a uma profundidade de até 50 metros do mar.
"Do conjunto de 365 mil indivíduos coletados entre 2001 e 2002, de 15% a 20% ainda tem que ser analisado. É possível que novas espécies sejam identificadas", disse a coordenadora.
Para cada espécie, leva-se em média um mês para verificar se o exemplar já foi descrito na literatura científica do mundo. Para isso, o projeto conta com a colaboração de cientistas de universidades da Itália, Rússia, EUA e Espanha.
Cecília afirmou que está analisando se as 70 novas espécies poderão ser usadas para fins comerciais (alimento) e para aplicações em estudos de farmacologia, para produção de medicamentos.
Ao todo, cerca de 100 pessoas, entre pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação da Unicamp, Unesp (Universidade Estadual Paulista) e USP (Universidade de São Paulo) estão envolvidos no projeto.

Museu - A coordenadora disse que os animais estão sendo depositados em museus do Brasil e de outros países. A coleção referência ficará no Museu de Zoologia da USP, mas a Unesp e Unicamp também ficarão com um acervo.
"Essa distribuição aos museus e universidades será possível porque temos vários exemplares de cada espécie porque dos 365 mil indivíduos coletados, muitos são das mesmas espécies", disse Cecília.

Projeto - O objetivo do projeto, denominado Biodiversidade Bêntica Marinha no Estado de São Paulo, é mapear a biodiversidade da fauna bentônica marinha presente na costa litorânea paulista.
A pesquisa também vai fornecer subsídios para o manejo e conservação das espécies, além de verificar os supostos desequilíbrios ecológicos que podem ocorrer com a destruição da fauna bentônica na região.
Os estudos são custeados pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) por meio do programa Biota. Ao todo, a pesquisa deve receber investimento de R$ 2,5 milhões.
Projeto deve criar manual de identificação

Caraguatatuba
O próximo passo do projeto Biodiversidade Bêntica Marinha no Estado de São Paulo é elaborar um manual com a identificação de todos os animais marinhos encontrados no Litoral Norte.
O primeiro volume da coleção, que terá ao todo sete manuais, está previsto para ser publicado em julho deste ano pela Edusp (Editora da Universidade de São Paulo).
O manual vai reunir 200 das 1.700 espécies já identificadas nas praias da região. Outros dois volumes, o segundo e o terceiro, devem ser publicados até o final de 2006.
A coordenadora do projeto, a bióloga Cecília Amaral, disse que o manual sobre a fauna bentônica do litoral paulista será a primeira publicação do gênero no Brasil.
"Será um produto de muito valor científico porque não existe nada no Brasil para identificar a fauna bentônica, principalmente sobre a meiofauna, quase nada estudada no nosso país", disse Cecília.
Segundo ela, além das novas espécies, foram achados pelos pesquisadores animais marinhos que já haviam sido descritos na literatura científica de outros países, mas que agora foram encontrados no Brasil.
"São esses animais que ainda faltam ter a análise concluída porque ainda temos muitas dúvidas sobre essas espécies", disse a coordenadora do projeto.