Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Unicamp cria metodologia para avaliar combustíveis

Publicado em 27 abril 2005

Uma alternativa para combater o problema dos combustíveis adulterados vendidos em postos do país foi desenvolvida no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os pesquisadores desenvolveram uma metodologia alternativa que permite testar a qualidade da gasolina e do álcool combustível em um tempo menor do que os processos tradicionais.
O novo método utiliza um computador e um espectrofotômetro que trabalha em contato com o infravermelho próximo, região espectral das amostras situada logo depois da região do visível. "Em apenas dez minutos é possível visualizar o resultado de cada amostra na tela do computador", diz Luiz Alexandre Sacorague.
As pesquisas que originaram a nova metodologia foram desenvolvidas durante a tese de doutorado do pesquisador e coordenadas por Jarbas Rohwedder, professor do Departamento de Química Analítica da Unicamp, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Segundo Sacorague, o tempo de minutos não é contado a partir da coleta da amostra. No caso da cidade de São Paulo, por exemplo, o sistema precisa ser calibrado com as amostras das várias regiões, o que pode demorar até um dia. Depois de feito isso, qualquer análise terá seu resultado em dez minutos.
Modelo matemático indica grau de suspeita
A inovação do método alternativo está na criação de um modelo matemático que mostra o grau de suspeita da amostra. Quando o teste exibir um valor alto, a amostra terá que ser analisada pelo sistema tradicional, para que realmente fique provado que o combustível está adulterado.
O pesquisador ressalta que com a utilização do novo modelo o custo de análise das amostras pode cair consideravelmente, pois um espectrofotômetro custa em média R$ 90 mil. A soma de todos os equipamentos necessários para a execução do método tradicional chega a R$ 1,5 milhão. "Além de serem aparelhos bem caros, a grande economia estaria na manutenção desses equipamentos", diz Sacorague.
O pesquisador lembra que uma análise tradicional de adulteração requer vários instrumentos para determinar os ensaios físicos e químicos necessários para avaliar a qualidade dos combustíveis. "Com esse novo sistema, os parâmetros de qualidade podem ser determinados simultaneamente, com mais rapidez e baixo custo", diz.