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Unicamp cria grupo de ajuda emergencial a pesquisadores afetados com cortes de bolsas CNPq e Capes

Publicado em 04 setembro 2019

Por Mirela Von Zuben e Patrícia Teixeira, G1 Campinas e Região

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou nesta quarta-feira (4) a criação de um grupo de trabalho para discutir medidas emergenciais de apoio aos bolsistas de pós-graduação atingidos pelo contingenciamento de recursos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“É um dilema e uma preocupação para a ciência brasileira, em um contexto sem muita perspectiva. Milhares de jovens que vieram para cá e estão vivendo com essa bolsa, que é baixa, mas é o que faz com que eles possam seguir na carreira acadêmica”, apontou o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel.

Uma das medidas definidas pelo grupo foi a criação do Programa Emergencial de Apoio a Bolsistas do CNPq, que deve implementar, no prazo de 30 dias, suporte aos alunos através de acesso a alimentação, bolsa moradia, suporte à saúde mental e criação de um fundo de apoio.

“A gente tem que estar preparado para pelo menos emergencialmente apoiar esses estudantes de alguma maneira. Ainda esperamos que essa situação se reverta”, afirmou Knobel, referindo-se principalmente à recente suspensão de contingenciamento de recursos do CNPq.

Segundo explicou o reitor, os cortes não devem afetar os pesquisadores que já são financiados pelas fontes de recursos. “Nós temos um pacote de bolsas. Geralmente essa implementação é muito rápida, um estudante defende a tese hoje e amanhã tem outro no lugar na bolsa”, explica. Quem estaria “na fila”, portanto, não receberá mais o financiamento.

À esquerda, Munir Skaf, pró-reitor em pesquisa da Unicamp. Ao seu lado, o reitor Marcelo Knobel. Eles falam sobre plano emergencial devido ao corte de bolsas de pesquisa.

Corte de bolsas da Capes e CNPq

Na segunda-feira (2), a Capes anunciou o corte de 5.613 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no Brasil a partir de setembro. É o terceiro comunicado do tipo neste ano. Ao todo, a Capes vai deixar de oferecer cerca de 11 mil bolsas e não serão aceitos novos pesquisadores neste ano.

Na Unicamp, a Capes deve cortar 58 bolsas, conforme informou a própria universidade. Com isso, o contingenciamento total sobe para 115, já que o Conselho havia restringido a verba para 57 bolsas em maio e junho deste ano.

Modalidades de pós-graduação afetadas em setembro na Unicamp pelo corte da Capes:

Mestrado: 31 bolsas

Doutorado: 26 bolsas

Pós-doutorado: 1 bolsa

Em agosto, o CNPq anunciou a suspensão da assinatura de novos contratos de bolsas de estudo e pesquisa. Ao todo, 478 pesquisadores de mestrado e 635 de doutorado dependem de bolsas do CNPq na Unicamp. Além deles, outros cerca de 650 estudantes da graduação também têm contratos de iniciação científica.

Déficit orçamentário

Atualmente, são pagos R$ 400 como ajuda de custo para bolsas CNPq para alunos de graduação na Unicamp. Pesquisadores de mestrado ganham R$ 1,5 mil e, de doutorado, R$ 2,8 mil. No total, a Unicamp tem 4,8 mil bolsistas de pós-graduação que, além do CNPq, usam outras fontes de financiamento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Capes.

“As consequências são absolutamente desastrosas, o pior cenário é uma paralisação total da ciência no país. A gente depende dos estudantes, das novas gerações, para realizar a ciência e a tecnologia no país”, afirmou o reitor da Unicamp.

“Estaríamos interrompendo um ciclo virtuoso de 60 anos, é um processo da ciência que vem ocorrendo e a gente estaria num momento muito delicado para o país”, explicou Knobel. Ele apontou que o atual cenário da educação no país é “impressionante”, com a preocupação de que possa haver um “desmonte de uma estrutura que demorou tanto tempo para ser construída”.

Segundo o pró-reitor em pesquisa da Unicamp, Munir Skaf, todas as áreas de atuação dos pós-graduandos devem ser afetadas com os recentes cortes.

“Na ordem as áreas mais afetadas são de ciências exatas, uma parcela de engenharias, ciências da saúde, ciências biológicas e ciências humanas. Pela própria característica da Unicamp, ela tem um volume muito maior nas áreas de ciências, naturais e da saúde e tecnológicas”.

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