Notícia

Gazeta de Alagoas

Unicamp cria anti-hipertensivo mais potente

Publicado em 31 agosto 2003

Uma nova geração de remédios contra a hipertensão pode surgir de uma fonte no mínimo insuspeita: o cérebro de ratos. É lá que pesquisadores paulistas acharam a hemopressina, uma molécula que tem potencial para gerar anti-hipertensivos até cem vezes mais potentes que os usados hoje. Embora os testes em animais ainda sejam preliminares, o achado poderia, no futuro, desbancar a bradicinina, molécula descoberta no veneno da jararaca que, hoje, é usada nos principais remédios contra a hipertensão. Claro que a nova molécula é um alvo e tanto, mas o lado mais interessante da nova pesquisa pode nem ser tê-la encontrado. "A nossa grande descoberta foi um novo método para descobrir peptídeos (fragmentos de proteína) biologicamente ativos", diz Emer Ferro, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. Ou seja, a mesma tática usada para encontrar o possível anti-hipertensivo pode revelar outras moléculas com potencial terapêutico, não só do tecido cerebral, mas de quaisquer células do organismo. O trabalho de Ferro e seus colaboradores foi anunciado este mês na revista "Pesquisa Fapesp" (revistapesquisa.fapesp.br), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que financia o projeto. Conforme explica Fábio Gozzo, pesquisador do Instituto de Química Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e co-autor do estudo, o cérebro é o lugar ideal para procurar novos peptídeos, porque muitos neurotransmissores (os mensageiros químicos desse órgão) pertencem a essa classe de substâncias. "Nós precisávamos de um órgão rico em peptídeos para testar o método", afirma Gozzo. E a estratégia, compara Ferro, consiste em transformar tesouras químicas em ímãs moleculares. As vítimas da metamorfose foram as enzimas, moléculas que ajudam a quebrar outras moléculas em pedaços menores. A equipe modificou algumas enzimas que atuam sobre peptídeos, de forma que elas não fossem mais capazes de cortá-los, mas ainda conseguissem grudar neles. Os ímãs moleculares se saíram melhor que a encomenda: das 15 substâncias pescadas com eles, 13 eram desconhecidas - entre elas, a hemopressina.