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A Cidade On (Campinas, SP)

Unicamp aponta que mulheres no ensino superior ainda são minoria

Publicado em 14 abril 2018

As mulheres já formam há vários anos a maioria do corpo discente do ensino superior, tanto na graduação como na pós-graduação, atingindo também o maior número de títulos de doutorado. Mas ainda são minoria no quadro docente: em uma década, a participação feminina entre os professores cresceu somente 1%, de 44,5% para 45,5%.

Os números, referentes ao período de 2006 a 2016, foram apresentados por Renato Pedrosa, coordenador do LEES (Laboratório de Estudos sobre Educação Superior) e docente do DPCT (Departamento de Política Científica e Tecnológica) do Instituto de Geociências da Unicamp (Unicamp).

Ele conduziu o seminário "A participação feminina no Ensino Superior: tendências recentes", realizado no Núcleo de Estudos de Políticas Públicas.

Renato Pedrosa observa que a questão de gênero ganha cada vez mais importância em termos globais, aparecendo em todos os itens da agenda da ONU para o desenvolvimento sustentável.

"A questão de gênero hoje se tornou muito mais complexa do que a declaração de sexo, que ainda vigora institucionalmente, e temos visto a sua gradativa inclusão como critério qualificador de políticas nas ciências, inclusive por agências de fomento. Nos conselhos nacionais europeus, a participação de gênero já aparece na análise de projetos de pesquisa e muitas vezes se pede explicações em caso de não participação feminina. Isso ainda não chegou ao Brasil, mas a Fapesp, por exemplo, tem publicado informações sobre a participação feminina na liderança de projetos", afirmou.

PARTICIPAÇÃO

Segundo Renato Pedrosa, a participação feminina no ensino superior estava em 45,5% em 2016 (175 mil dos 384 mil docentes), apenas um ponto percentual acima de 2006, estabilidade vista tanto no setor público (45%) como privado (46%).

"Uma observação é que 51% dos títulos de doutorado obtidos no país entre 1996 e 2014 foram por mulheres. Vemos, então, que apesar de já haver uma maioria de mulheres qualificadas inclusive para atuar no sistema público (que em geral contrata mais doutores), a mudança no corpo docente por gênero não é diferente de dez anos atrás. Conferindo a titulação dos docentes do ensino superior, vemos igual percentual de homens e mulheres com doutorado (39%); pequena vantagem dos homens com graduação (1,5% e 1,3%); vantagem masculina na especialização (22% e 19%); e uma diferença a favor das mulheres no mestrado (41% e 38%). Somando mestrado e doutorado, temos 80% para as mulheres e 77% para os homens", comentou.

Com informações da assessoria de imprensa da Unicamp