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Unicamp aponta as indústrias mais inovadoras do Brasil

Publicado em 23 maio 2007

Delphi, Silvestre Labs, Brasilata e Santista Têxtil são as primeiras colocadas no Índice Brasil de Inovação

Renato Cruz escreve para "O Estado de SP":

A Delphi, a Silvestre Labs, a Brasilata e a Santista Têxtil são as indústrias mais inovadoras do país, de acordo com a primeira edição do Índice Brasil de Inovação (IBI), que será divulgado amanhã.

O índice levou em conta o esforço e os resultados das empresas em pesquisa e desenvolvimento, comparando seus números com a média do setor em que atuam.

Os setores industriais foram divididos em quatro grupos, de acordo com a intensidade tecnológica: alta, média-alta, média-baixa e baixa. As três primeiras colocadas no grupo de alta tecnologia foram a Delphi, a Embraer e a Marcopolo.

"A Delphi tem indicadores de inovação muito acima da média setorial", explica Ruy Quadros, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos pesquisadores do Projeto IBI.

"Uma empresa como a Embraer acaba sendo um pouco punida pela metodologia, pois tem um peso setorial muito grande."

A Delphi tem dois centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, em São Caetano e Piracicaba (SP). "No mundo, registramos duas patentes por dia", diz João Veloso Jr., coordenador de comunicação da empresa. "No Brasil, depositamos pelo menos cinco patentes no ano passado."

O Brasil é considerado pela empresa centro de competência mundial em diesel, biodiesel e álcool. O último produto a sair dos laboratórios brasileiros foi a moto bicombustível. "A nova patente que estamos correndo atrás é o motor flex com partida a frio", diz Veloso.

"Nos próximos meses devemos chegar a um sistema com partida a 15 graus abaixo de zero sem gasolina." O objetivo é atender ao mercado externo.

No grupo de média-alta intensidade tecnológica, o primeiro lugar ficou com a Silvestre Labs, empresa farmacêutica criada há 20 anos, que faz parte do Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro (BioRio).

A empresa criou o Extra Graft XG-13, que pode ser utilizado para preenchimento e substituição óssea em casos de lesões ou defeitos. "É o nosso primeiro produto de bioengenharia", diz Eduardo Cruz, presidente da empresa. A Silvestre Labs tem 150 funcionários, mais da metade dedicada a pesquisa e desenvolvimento, e seis patentes.

Quando foi registrar o Dermacerium, remédio para tratamento de queimaduras graves, pediram à empresa o certificado no país de origem.

"A agência reguladora não estava preparada para um produto desenvolvido no Brasil", diz Cruz. "Depois, pediram o folheto de um produto similar lá de fora, que também não havia."

A Brasilata, primeira colocada no grupo de média-baixa intensidade tecnológica, criou há 20 anos um sistema interno de sugestões, inspirado na Toyota. Em 2006, os funcionários contribuíram com 105 mil idéias.

"Apesar de fabricarmos latas de aço, um produto em que não se espera inovação, temos mais de 50 patentes depositadas no Brasil e no exterior", diz Antonio Carlos Teixeira, diretor-superintendente da Brasilata.

"O IBI é importante porque mede o resultado da inovação, e não somente o esforço." Mais de 60% das vendas da empresa são de produtos desenvolvidos nos últimos cinco anos ou protegidos por patentes.

A Santista Têxtil, primeira do grupo de baixa intensidade tecnológica, tem 33% de sua receita líquida proveniente de novos produtos. No ano passado, lançou a linha NanoConfort, com nanotecnologia. O IBI avaliou 30 empresas, com base em dados do IBGE. A iniciativa surgiu no Instituto Uniemp e teve apoio da Fapesp.

As mais inovadoras

Setores de alta tecnologia:

1.º - Delphi (automobilística);

2.º - Embraer (outros equipamentos de transporte);

3.º - Marcopolo (automobilística)

Setores de média-alta intensidade tecnológica:

1.º - Silvestre Labs (química);

2.º - Vallée (química);

3.º - Natura (química)

Setores de média-baixa intensidade tecnológica:

1.º - Brasilata (produtos de metal);

2.º - Faber Castell (móveis e diversos);

3.º - Usiminas (metalurgia básica)

Setores de baixa intensidade tecnológica:

1.º - Santista Têxtil (têxtil);

2.º - Grendene (calçados);

3.º - Rigesa (papel e celulose)

(O Estado de SP, 23/5)