Notícia

Correio Popular

União impulsiona estudos sobre biomassa

Publicado em 25 janeiro 2004

O Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (NIPE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se associou, no início deste mês, à Rede Nacional de Biomassa para Energia (Renabio) para desenvolver projetos conjuntos nessa área. A Renabio é uma rede de empresas e entidades, cujo objetivo é promover e gerenciar programas de desenvolvimento tecnológico em energia de biomassa. É formada por órgãos do governo, universidades, instituições de pesquisa, empresas privadas e Organizações Não-governamentais (ONGs). De acordo com o professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, Luís Augusto Barbosa Cortez, a união à Renabio significa um passo importante para impulsionar as pesquisas sobre biomassa, pois os associados da entidade com sede na Universidade Federal de Viçosa (MG) têm como metas o aperfeiçoamento da competitividade do uso de energia elétrica na indústria, a interação de entidades públicas e privadas com o setor produtivo, a pesquisa e o ensino. "A rede funciona como um elo entre os diversos integrantes do setor nessa tarefa", diz o professor. Só a Unicamp, lembra Cortez, desenvolve cerca de 30 projetos sobre o uso da biomassa para fins energéticos — nas áreas química, elétrica, térmica e de equipamentos. Um dos principais estudos é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), que também possui pesquisas nesse sentido. Subprojetos O projeto temático "Geração de energia elétrica a partir de biomassa de cana-de-açúcar" é coordenado pelo professor Isaías Macedo, da Unicamp, e visa a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias eficientes para a geração de eletricidade no setor sucroalcooleiro, sempre de forma sustentável. "Certamente, inúmeros estudos, dissertações de mestrado e teses de doutorado já abordaram este tema, com contribuições importantes para o País", diz o professor Cortez. "Entretanto, a originalidade desse projeto é englobar os diferentes aspectos da visão geral de planejamento energético. Além disso, o estudo se propõe a desenvolver estudos científicos e tecnológicos nas diferentes áreas que se inter-relacionam com o tema." Por isso, oito subprojetos estão embutidos nessa iniciativa. São estudos sobre produção de eletricidade em larga escala a partir de subprodutos da cana no Estado de São Paulo; planejamento e programação da operação de sistemas de energia elétrica; análise termodinâmica para aperfeiçoar utilidades do complexo álcool-açúcar no setor elétrico; colheita e condicionamento da palha da cana para queima em caldeiras, desenvolvimento de melhores secadores de bagaço para aumentar a geração de energia nas usinas; uso do etanol da cana-de-açúcar em sistemas de geração de energia elétrica; impactos econômicos e possibilidades da ampliação em larga escala da oferta de energia a partir da biomassa de cana em São Paulo; e aspectos do ciclo produtivo. A finalidade do projeto desenvolvido pela Unicamp e USP, segundo Cortez, permitir a sinergia entre evolução tecnológica e o atual sistema de geração, predominantemente hidroelétrico no Brasil. "Cerca de 40% da energia elétrica do Brasil tem origem hidráulica. Outros 40%, petrolífera. Só os 20% remanescentes dizem respeito à produção de energia a partir de álcool e bagaço da cana, lenha e carvão vegetal. Esse estudo está trabalhando desde a produção e recuperação integral do sistema da biomassa no campo até seu uso e geração de energia", diz. O projeto inclui a avaliação de impactos sociais, ambientais e econômicos decorrentes do aumento do uso energético da biomassa da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. A iniciativa envolve pesquisadores, técnicos, professores e alunos do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp (Nipe) e do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, por meio do Centro Nacional de Referência em Biomassa (http://www.cenbio.org.br). Gases Outro projeto de destaque, lembra Cortez, é o estudo da gaseificação da biomassa como alternativa sustentável para geração de energia. Coordenada pelo professor Caio Glauco Sánchez, da Faculdade de Engenharia Mecânica, a pesquisa aponta soluções para eletrificação rural e o aproveitamento energético de resíduos, convertendo a biomassa em gás combustível com baixa emissão de poluentes. "O gás produzido é de baixo poder calorífico e pode ser utilizado para gerar potência mecânica ou eletricidade, isto é, pode ser usado como combustível em motores de combustão interna, turbinas a gás, sistemas de turbinas a gás e a vapor, sistemas de co-geração, em caldeiras ou para a produção de hidrogênio para células de combustível, a tendência para o futuro", afirma Cortez.