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União Européia financia pesquisa de brasileiros

Publicado em 23 julho 2003

Brasil tem grande potencial no setor de tecnologia da informação e comunicação, afirma Pedro de Sampaio Nunes, diretor de estratégia da Sociedade da Informação e e-Europe da UE Eduardo Geraque escreve para a 'Agência Fapesp': De 1998 e 2002, cientistas brasileiros apresentaram a programas da União Européia (UE) 32 candidaturas de projetos científicos. Do total, oito consórcios que tinham a participação de grupos brasileiros conseguiram recursos para o financiamento de pesquisas. Agora, dentro do chamado 'programa de quadro número seis', que começou em 2003 e vai até 2006, uma nova convocação está aberta. O orçamento desta chamada de projetos, que vai até o dia 15 de outubro, é de 525 milhões de euros. 'A média brasileira do último programa foi muito boa. Um projeto aprovado em cada quatro é superior até mesmo à média encontrada na Europa, que vai de um para seis até um para dez, dependendo do caso', disse o português Pedro de Sampaio Nunes, diretor de estratégia da Sociedade da Informação e e-Europe da UE, à Agência Fapesp. O representante dos Estados europeus esteve em São Paulo na sexta-feira (18/7), para presidir o seminário temático União Européia-Brasil: Perspectivas da Cooperação Bilateral em pesquisa e inovação no setor de tecnologia da informação e comunicação. 'Esperamos que agora o número de candidaturas seja bem maior. O Brasil tem um grande potencial', disse Nunes. SELEÇÃO RIGOROSA Os próprios membros da UE reconhecem que o caminho para uma candidatura vitoriosa nem sempre é curto. Uma das exigências, por exemplo, é que a participação de um grupo brasileiro deve estar inserida em um consórcio que conte com pelo menos outros dois participantes de Estados membros ou associados à UE. Além disso, qualquer projeto, neste segundo convite feito dentro do programa de quadro número seis, precisa estar inserido dentro dos objetivos estratégicos definidos pelo Information Society Technologies (IST), programa da UE que fornece as bolsas. São dez objetivos, que vão da inclusão à informação a plataformas de desenvolvimento abertas para software. 'Existem vários níveis de dificuldade', diz Alexandra Klein, coordenadora do grupo de Sistemas Inteligentes de Manufatura, que é ligado à Universidade Federal de Santa Catarina. A cientista brasileira faz pesquisa com financiamento de fundos europeus desde 1990, quando estava em vigor o programa de quadro número três. 'Primeiro, é importante formar um bom consórcio. E isto, normalmente, só ocorre quando já se tem relações profissionais com a Europa', disse. Alexandra alerta para um segundo problema comum aos candidatos: 'É fundamental ter um coordenador europeu com experiência'. Até a fase de escrever a proposta não pode ser negligenciada, segundo ela. 'Já vi grandes idéias má escritas. Ter atenção com as terminologias e conhecer o que eles querem realmente é essencial', disse. O grupo da pesquisadora brasileira teve um projeto aprovado, no valor de 34 milhões de euros, na chamada realizada em abril deste ano. Os interessados em fazer suas pesquisas na Europa, de forma individual, também podem se candidatar às bolsas oferecidas pela UE, por intermédio do programa Marie Curie. Ao todo, existem 1,5 bilhão de euros para o financiamento de pesquisadores. Eles podem ser europeus querendo pesquisar em outros continentes, ou não-europeus, que queiram se aprofundar em centros científicos da UE. Normalmente, o prazo da bolsa é de dois anos, mais um para reintegração do pesquisador em seu país de origem. Mais informações sobre as bolsas, assim como todas as exigências desta chamada da UE e do calendário para os próximos anos podem ser encontradas no site do IST, http://www.cordis.lu/ist. Os orçamentos definidos para 2005 e 2006 são, respectivamente, 935 milhões de euros e 964 milhões de euros. ('Agência Fapesp', 21/7)