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Universia Brasil

UNESP/São Vicente analisa impacto de poluição em populações de caranguejos

Publicado em 09 janeiro 2007

Desenvolvido pelo estudante Tomás Roman Toledo (III Turma), sob orientação dos professores Marcelo Pinheiro (UNESP São Vicente) e Rodrigo Torres (UFP), o projeto de iniciação científica tem como objetivo verificar se caranguejos podem ser utilizados como marcadores de impactos ambientais em regiões de manguezais.

A espécie utilizada será o caranguejo-uçá (Ucides cordatus), que é intensamente explorada por constituir fonte de alimento e renda para as comunidades litorâneas de várias regiões brasileiras, além de possuir grande importância ecológica para áreas de manguezais.

O estudante realizará coleta em duas áreas: Juréia, litoral Sul de São Paulo e Cubatão, região metropolitana da Baixada Santista. A primeira, uma unidade de conservação de proteção integral, é considerada livre de impactos ambientais, e a segunda, considerada sujeita a constante ameaça da poluição devido ao imponente parque industrial com 84 indústrias, sendo 30 delas consideradas poluidoras pela CETESB.

Serão coletados pelo menos 10 exemplares de caranguejos por área, entre fevereiro a julho de 2007. Após a coleta, o pesquisador preparará três lâminas da hemolinfa de cada exemplar, que após serem coradas para melhor visualização, serão examinadas através da contagem de 3.000 células por animal, sob aumento microscópico. Esta contagem visa verificar a quantidade de micronúcleos encontrados em cada lâmina.

Após a contagem das células, os resultados serão submetidos a análises estatísticas, que poderão detectar diferenças significativas na presença de micronúcleos entre as duas áreas de manguezal.

A análise de células micronucleadas é uma ferramenta bioindicadora que pode ser utilizada para a confirmação ou descarte da influência de poluentes em regiões diferentes, bem como seu possível efeito sobre as espécies.

O projeto, que possuí apoio financeiro da FAPESP, será realizado no CLP/SV, e pretende contribuir ao manejo "in situ" destas populações de caranguejos, orientando condutas sobre sua conservação, além de medidas para comunicar a comunidade que sobrevive do comércio e consumo de caranguejos, e os órgãos de saúde locais, caso estejam contaminados.