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Universia Brasil

UNESP/Rio Preto utiliza barbeiros para a geração de conhecimento

Publicado em 03 outubro 2006

Os barbeiros, mais conhecidos como transmissores da doença de Chagas (Trypanosoma cruzi) são insetos úteis para a geração de conhecimento científico e didático. Na UNESP, campus de Rio Preto, eles são objeto de estudo do Laboratório de Biologia Celular, coordenado pela Livre-Docente Maria Tercília Vilela de Azeredo-Oliveira, bióloga e professora do Departamento de Biologia e dos Programas de Pós-Graduação em Genética e em Biologia Animal.
As pesquisas do Laboratório seguem a linha "Citogenética e Ação Gênica em Triatomíneos" (barbeiros) e se baseiam em estudos de Biologia Celular e de Citogenética.
"A Citogenética analisa os testículos do animal adulto para observar aspectos da estrutura cromossômica, que podem indicar semelhanças ou diferenças genéticas entre as diversas espécies, possibilitando conhecê-las melhor biologicamente", explica Azeredo-Oliveira.
"Na Biologia Celular são utilizados os túbulos de Malpighi e as glândulas salivares (órgãos excretores), cujas células possuem núcleos gigantes (poliplóides), isto é, muito maiores que o normal. Isso facilita a observação de diversos fenômenos biológicos, como o envelhecimento e o estresse celular, que podem ser constatados pelas alterações das estruturas nucleares", afirma a bióloga.
Segundo Azeredo-Oliveira, essas características tornam os barbeiros excelentes modelos biológicos. Os resultados obtidos com o estudo desses insetos podem ser utilizados para a compreensão de mecanismos biológicos que ocorrem em outros grupos de animais ou de vegetais.
"Nosso trabalho com triatomíneos insere-se no desenvolvimento da Ciência Básica, que gera conhecimento, alimenta os livros didáticos e chega aos estudantes", diz Azeredo-Oliveira.
A professora explica que, apesar de não ser o foco principal das pesquisas, elas podem auxiliar no controle biológico dos barbeiros, pois permitem entender o ciclo biológico desses insetos e como cada espécie se adapta aos mais diferentes ambientes.
O trabalho com barbeiros, atualmente realizado com a colaboração da profa. Dra. Ester Tartarotti, já deu origem a mais de 21 estágios básicos, a 21 iniciações científicas e a várias dissertações e teses de pós-graduação. CNPq, CAPES, FAPESP e FUNDUNESP apóiam as pesquisas.