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Unesp testa eficácia de plantas medicinais para uso público

Publicado em 15 maio 2013

SÃO PAULO. Uma pesquisa busca avaliar a segurança e a eficácia de extratos de 20 plantas medicinais no tratamento de doenças como úlcera, colite, doença inflamatória intestinal, dores crônicas, inflamação, câncer e diabetes. O estudo é feito na Universidade Estadual Paulista (Unesp), de acordo com informações da agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

Em uma primeira fase do trabalho, coordenada por Wagner Vilegas, foram extraídos os princípios ativos presentes nas espécies. As moléculas foram isoladas e tiveram sua estrutura caracterizada. Em seguida, foram feitos experimentos in vitro e em roedores para avaliar a ação terapêutica e possíveis efeitos adversos.

Com base nos experimentos, o grupo de pesquisadores selecionou extratos das seis espécies mais promissoras para uma investigação aprofundada. A Serjania marginata e a Machaerium hirtum demonstraram ação gastroprotetora, analgésica e anti-inflamatória, sem efeito mutagênico ou tóxico. Já a Rhizophora mangle e a Hymenaea stigonocarpa mostraram potencial terapêutico para o tratamento de doença inflamatória intestinal. As espécies Myrcia bella e a Bauhinia holophylla apresentaram resultados experimentais promissores para tratamento do diabetes.

“Pretendemos investigar melhor os mecanismos de ação dos princípios ativos presentes nessas espécies. O interessante seria descobrir um mecanismo diferente daqueles existentes nos medicamentos já comercializados”, explicou Vilegas, do campus da Unesp, em São Vicente.

O objetivo da pesquisa, ainda de acordo com Vilegas, é ampliar as opções disponíveis na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (Renisus). Divulgada em 2009 pelo Ministério da Saúde, essa listagem traz 71 plantas com potencial para gerar produtos para a rede pública de saúde.

A finalidade da Renisus, segundo informações do ministério, é orientar estudos e pesquisas que subsidiem a relação de fitorerápicos disponíveis para uso da população. “O problema é que algumas das espécies listadas pela Renisus ocorrem apenas em determinadas regiões do país, e não há quantidade suficiente da planta para atender a toda a população. É preciso incorporar novas opções terapêuticas a essa listagem, mas antes são necessários estudos para comprovar a eficácia e a seguranças dos fitoterápicos”, disse Vilegas.

Flash

Uso.

Entre as plantas estudadas há a B. holophylla, uma espécie irmã da B. forficata, cujo extrato já é usado para o tratamento de diabetes no serviço público e está na lista da Renisus.

Desafio agora é fornecimento regular do extrato a pacientes

SÃO PAULO. Na próxima etapa da pesquisa, serão realizados estudos para avaliar se há alterações sazonais ou geográficas nos extratos das espécies estudadas. Ou seja, se a quantidade de princípios ativos varia de acordo com o local em que a planta foi cultivada ou de acordo com a época do ano em que ela foi colhida. Se não for comprovado que há consistência do princípio ativo na planta, não é possível fazer o produto.

“Estamos fazendo o cultivo em campo dessas espécies, pois, para produzir extratos padronizados, é importante avaliar se a planta fornece matéria-prima para a produção dos fitoterápicos em quantidade suficiente ao longo de todo o ano. Se não for possível manter a regularidade do fornecimento, não será viável transformá-las em produtos fitoterápicos”, explicou o coordenador do projeto Wagner Vilegas.