Notícia

BOL

Unesp terá super-rede de processamento

Publicado em 10 junho 2008

A Unesp (Universidade Estadual Paulista) começa a instalar nas próximas semanas os primeiros componentes de seu novo "cluster" de computadores, o GridUnesp. O sistema interligará diversas máquinas em sete centros espalhados pelo Estado de São Paulo para processar dados em alta-velocidade --até 33 teraflops (33 trilhões de cálculos por segundo).

Segundo a Unesp, o projeto será o maior cluster computacional da América Latina. A capacidade de processamento será enorme porque os computadores ficarão todos interligados em "grid" --esquema que permite dividir uma única operação entre várias máquinas.

Segundo o idealizador do projeto, Sérgio Novaes, do IFT (Instituto de Física Teórica da Unesp), a rede também se beneficiará de uma parceria com a Open Science Grid, dos EUA, e de grids na Europa e na Ásia.

"Esse conceito faz com que você possa usar o planeta inteiro como um grande computador", diz o cientista. "É importante compartilhar essa infra-estrutura, porque a grid só tem sentido se você a compartilha. Além disso, vai ajudar a gente a trazer know-how. O processamento em grid tem avançado muito, mas nós temos poucos especialistas nisso no Brasil."

A idéia da grid surgiu originalmente com a física de partículas, que possui uma demanda crescente de processar grandes volumes de dados. No IFT, a grid da Unesp servirá para processar uma pequena fração dos dados que serão produzidos no LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, na Suíça.

Segundo a Unesp, porém, qualquer pesquisador poderá submeter projetos para utilizar a nova grid. Entre outras áreas que tendem a se beneficiar estão a genômica e a meteorologia. Programas que simulam os efeitos de longo prazo do aquecimento global, por exemplo, requerem uma enorme capacidade de processamento.

"Todas a áreas que exigem simulação mais complexa, incluindo as engenharias, vão se beneficiar." diz José Varela, pró-reitor de pesquisa da Unesp. Ele próprio, cientista na área da física de materiais, tem um projeto previsto para rodar no novo cluster.

"Nós também vamos colocar nessa grid o repositório do conhecimento gerado na Unesp, para que a produção da universidade tenha uma abertura maior para a comunidade internacional."

O GridUnesp custará R$ 3,1 milhões, bancados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). A Sun Microsystems fornecerá os computadores, e a interligação dos centros aproveitará uma infra-estrutura da Fapesp que já existe.

O cluster central ficará na nova unidade da Unesp na Barra Funda, em São Paulo, e os outros núcleos ficarão em Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro e São José do Rio Preto. O IFT também vai mudar de endereço: deixará o casarão onde fica hoje, na rua Pamplona, e funcionará com o GridUnesp na Barra Funda.