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Diarioweb (São José do Rio Preto)

Unesp terá laboratório para pesquisa de cura de doenças

Publicado em 20 outubro 2010

Por Rubens Cardia

O combate a doenças respiratórias causadas pelo vírus sincicial (VSR)respiratório, que atingem principalmente as crianças na época de inverno, vai ganhar um aliado em Rio Preto. Trata-se do aparelho chamado espectrômetro de ressonância magnética nuclear, avaliado em um milhão de dólares (R$ 1,7 milhão), que será comprado pelo Ibilce, campus rio-pretense da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Além do combate ao VSR (que é a causa mais frequente das infecções graves do trato para as crianças com menos de 4 anos e responsável por graves problemas em idosos e imunodeprimidos, com taxas de mortalidade elevadas), o Centro Multiusuário de Inovação Biomolecular deve ajudar na descoberta de formas de combate a diversas doenças, como câncer e dengue.

Esse equipamento, que chegará em seis meses, permite a determinação da estrutura das proteínas. A partir da análise com o espectrômetro é possível desenvolver métodos para impedir a ação ruim das proteínas e ativar as que são benéficas , explica o professor Valmir Fadel, um dos envolvidos no projeto de instalação do Centro Multiusuário de Inovação Biomolecular, que funcionará no Ibilce.

O trabalho da bióloga Fátima Pereira de Souza - que pesquisa o vírus sincicial respiratório - será um dos primeiros a ser beneficiado com o investimento. Não existe ainda nenhuma vacina, nenhum fármaco, capaz de inibir esse vírus (o sincicial). Ele tem 12 proteínas que são responsáveis por sua atividade, mas não sabemos qual é o alvo principal para que ele se estabeleça no organismo e a pessoa fique infectada.

Um dos desafios, diz a bióloga, é anular o ataque viral que atinge principalmente o público infantil. Nós já temos um grande número de dados que não conseguiram esclarecer porque o vírus atinge as crianças sem sofrer nenhuma forma de combate. Será que, com essas informações, eu não consigo bloquear esse vírus? Essa é a pergunta biológica que eu tenho. E eles, como físicos, utilizando essa tecnologia, vão conseguir responder , afirma Fátima.

No total, serão investidos quase R$ 3 milhões no projeto. Além do custo do aparelho de ressonância, serão gastos em torno de R$ 1 milhão na construção do prédio que abrigará o centro e na compra dos equipamentos auxiliares , explica Fadel. O dinheiro para o investimento veio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Benefício múltiplo

De imediato, a criação do Centro Multiusuário vai beneficiar 40 pesquisadores. O trabalho vai incluir pesquisas de combate a doenças como câncer e dengue, além de pragas que atingem a agricultura. Outro benefício será auxílio na criação de biodiesel a partir do bagaço da cana-de-açúcar e do sebo animal. O biodiesel é a chave para o Brasil e com esse aparelho nossas pesquisas avançarão mais rápido. Também vamos conseguir descobrir como as doenças que atacam as culturas se propagam, e assim esperamos conseguir formas de bloquear a ação desses vírus , afirma o coordenador do projeto, Raghuvir Arni.

O desenvolvimento de remédios por meio de veneno de animais peçonhentos também será contemplado. Conhecendo a estrutura de um veneno, por exemplo, você pode propor funções terapêuticas para ela. Um dos principais remédios utilizados hoje para tratamento de hipertensão foi desenvolvido por meio de um componente de um veneno de cobra .

Novo centro será referência

Rio Preto é a segunda cidade brasileira a receber um Centro Multiusuário de Inovação Biomolecular. O único laboratório igual ao que será instalado na Unesp/Ibilce é o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), de Campinas. Pelas amplitudes técnicas que teremos aqui no Ibilce, o Centro de Rio Preto só poderá ser comparado com o de Campinas. Não existe outro no País que abranja tantas técnicas , diz o professor Valmir Fadel, da Unesp de Rio Preto.

Os equipamentos do Centro Multidisciplinar da Unesp poderão ser utilizados por pesquisadores de todo o País. Existe um site específico, onde os pesquisadores trocam informações, propõem parcerias e a utilização de equipamentos , afirma Fadel. Para utilizar o equipamento, os pesquisadores terão que atender alguns critérios ainda não definidos. A nossa intenção é fomentar a pesquisa no Brasil. Queremos incentivar a formação de novos pesquisadores , explica Raghuvir Arni, coordenador do projeto.

Inicialmente, 40 pesquisadores estão envolvidos no projeto. De imediato, esse equipamento vai beneficiar não só as áreas de pesquisa do Ibilce, mas também a Famerp, e pesquisadores de outras cidades como Rio Claro, Araraquara e Ribeirão Preto, que já são nossos parceiros, diz Arni.