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Jornal da Unesp

Unesp tem uma das agências mais produtivas

Publicado em 01 setembro 2014

Por Cinthia Leone

"Mais difícil do que criar é fazer funcionar”, afirma um dos idealizadores da Agência Unesp de Inovação (AUIN), José Arana Varela, ao lembrar os primeiros desafios da implantação da agência, que está completando cinco anos de atividade. O professor da Unesp em Araraquara, que atualmente é diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), fala das transformações que a agência provocou na Universidade.

Jornal Unesp: O que motivou a criação da AUIN?

José Arana Varela: A Lei de Inovação [nº 10.973, de 2004] estabelecia a necessidade de que todas as instituições de pesquisa tivessem um NIT [Núcleo de Inovação Tecnológica], cuja função fundamental seria reportar para o Ministério de Ciência, Tecnologia & Inovação (MCTI) todas as ações de inovação. Assim, como pró-reitor de Pesquisa sob a reitoria do professor Marcos Macari (2005 –2009), fui incumbido de planejar a instalação desse núcleo na Unesp.

JU: Como foram as primeiras aproximações com a indústria?

José Arana Varela: Inicialmente, não havia uma cultura de proteção de tecnologias na Universidade e nem de aproximação proativa com o setor produtivo. Por isso, quando ainda funcionávamos em uma sala provisória no edifício da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), contratamos a Fabíola Spiandorello como gerente de Propriedade Intelectual. Com o trabalho dela, a Universidade começou uma busca mais assertiva por parcerias com empresas, como a Unicamp já fazia.

JU: E a partir de quando a Agência começou a ficar consolidada dentro da universidade?

José Arana Varela: Após cerca de dois anos, aquela estrutura provisória do núcleo deu lugar à agência propriamente dita. Agora, mais difícil do que criar é fazer funcionar. E quem me incumbiu de dar vida à AUIN foi o professor Herman Voorwald, que estava assumindo o mandato como reitor. Convidei para esse desafio a professora Vanderlan Bolzani, que já era da minha equipe na Pró-reitoria e hoje é a diretora da Agência.

JU: Que decisão o senhor acredita ter sido a mais importante desse período?

José Arana Varela: Nossa primeira decisão, que foi sobre o quadro de funcionários. Concluímos que se estávamos criando uma agência para nos relacionar com o empresariado, não podíamos ter uma equipe puramente educacional ou acadêmica. Nossa preocupação foi prontamente entendida pelo então reitor Voorwald, e a comunidade começou a responder. Hoje, embora seja um time enxuto, a AUIN é uma das agências universitárias mais produtivas.

JU: Quais os pontos fortes da equipe da AUIN?

José Arana Varela: Eles fazem bem o atendimento aos docentes, que é explicar para eles o que é ou não patenteável. Também criaram, junto com a equipe da Assessoria Jurídica da Unesp, um sistema de trabalho que permite ao reitor assinar todos os contratos da agência com total segurança. Mas o crucial é que eles sabem fazer a transferência, que é negociar com o empresariado aquilo que é propriedade da Universidade. Quando se faz negócio no ramo de tecnologia, é necessário ter muita agilidade, e a AUIN tem.

JU: Como é a relação da Fapesp com as agências de inovação?

José Arana Varela: Antes, toda transferência tecnológica que resultava de pesquisa financiada pela Fundação tinha que ser assinada pelos autores do estudo, pelo reitor, pela empresa e pelo presidente da Fapesp. O problema é que, quanto mais atores envolvidos na negociação, mais lento e burocrático fica todo o processo. Eu ainda era conselheiro da Fapesp quando propus retirar o órgão dessa função, o que deu origem à certificação dos NITs, uma condição que permite que, quando as agências universitárias apresentam comprovada competência, esses núcleos ganhem autonomia para fechar acordos e repassar posteriormente os royalties devidos à Fapesp.

JU: Os contratos de transferência podem se tornar uma fonte significativa de recursos?

José Arana Varela: Não é objetivo da Fapesp gerar recurso para si própria em função das tecnologias desenvolvidas. É muito mais importante que aquilo que foi criado vá para o mercado, vire produto e gere riqueza para a sociedade.