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Universia Brasil

UNESP Sorocaba avalia risco ambiental na relação entre cobertura do solo e relevo

Publicado em 30 janeiro 2008

Estudo realizado por um grupo de pesquisadores da UNESP Sorocaba e financiado pela Fapesp avaliou o risco ambiental na relação entre a cobertura do solo e o relevo do município de Sorocaba. O trabalho, coordenado pelo docente Alexandre Marco da Silva, do departamento de Engenharia Ambiental da UNESP, foi publicado, em setembro último, na revista eletrônica Caminhos da Geografia do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Usando recursos de geoprocessamento e duas principais bases cartográficas (um mapa digital de cobertura do solo de 2003 e um modelo de elevação digital da área de estudo, convertido posteriormente em mapa de declividade), o grupo analisou a classificação de cobertura de solo de Sorocaba e a relação dela com a declividade dos terrenos.

Para tanto, foram consideradas seis classes para a cobertura do solo (Pastagens, Solo Exposto, Área Urbana, Corpos d?água, Área de Agricultura e Vegetação Natural Remanescente - RNV) e outras seis para o relevo (Plano, Suavemente Ondulado, Ondulado, Fortemente Ondulado, Montanhoso e Escarpado).

Cruzando os dados de ambos os mapas, o grupo percebeu que a classe predominante é plana (37,80%), seguida por ondulada (32,48%) e suavemente ondulada (22,32%). A maior parte da área de estudo apresenta uma cobertura considerada adequada (aproximadamente 80%).

Contudo, cerca de 11% da área apresenta algum tipo de risco, tais como possibilidade de haver forte erosão, inundação e deslizamentos, todos eles relacionados às condições climáticas, como chuva.

Em 3,27% do município, a classificação foi "cobertura inadequada" e refere-se a regiões onde se verificam pastagens e agricultura. Segundo o artigo, embora a cobertura do solo não seja adequada para a inclinação do solo em que foi encontrada, "a situação não chega a representar um sério problema ambiental", desde que, nessas áreas, práticas de manejo do solo ou obras civis sejam condizentes com a declividade.

O trabalho também calculou a porcentagem da área urbana que precisa ser construída sobre regiões adequadas. O valor, 32,35%, mostra que uma parte considerável da região urbana, se não for construída em áreas de topografia corrigida, com terraplenagem, por exemplo, vai estar sob forte probabilidade de sofrer algum acidente ambiental, sobretudo em épocas de fortes chuvas.

Para a aluna Fabíolla Pereira de Paula, uma das autoras do artigo, "as regiões consideradas inadequadas e de risco ocorrem conjuntamente em quase 15 % da área", alerta. "Embora essas áreas sejam representadas basicamente por solo exposto em áreas rurais, é bom não descuidar até para evitar que se tornem sérios problemas ambientais", emenda a estudante, que reconhece a importância do estudo.

"O objetivo desse trabalho é também contribuir para o planejamento regional do uso da terra, na medida que indica quais as áreas de risco de acordo com os diferentes usos que elas recebem", afirma a estudante.

Fonte: UNESP