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Universia Brasil

UNESP Sorocaba apresenta trabalhos em Simpósio na Índia

Publicado em 22 janeiro 2008

No próximo mês, a UNESP Sorocaba será uma das representantes do Brasil no Simpósio Internacional sobre Geociência, Meio Ambiente e Tecnologia que será realizado entre os dias 12 e 14 no Indian Institute of Technology (IIT), na Índia. Este ano, o evento, que terá como sede o campus de Kharagpur do IIT, o mais velho dos sete que compõem a rede de universidades autônomas considerada modelo pelos indianos, deve apresentar trabalhos acadêmicos norteados pelo tema "Utilização do Geoespaço como Solução para Ambiente e Energia" e, embora faça parte de uma parceria entre Índia e Coréia do Sul, aceitará também trabalhos acadêmicos de pesquisadores de outros países.

Do Brasil, o professor e pesquisador André Henrique Rosa, do Departamento de Engenharia Ambiental da UNESP Sorocaba, deve levar três trabalhos: "Uso de sistema de informação geográfica com enfoque na análise da qualidade da água e no uso da terra em reservatórios de São Paulo"; "Mapeamento da poluição do solo por classificação Fuzzy e análise espacial" e "Desenvolvimento de metodologia "in-situ" para caracterização de espécies metálicas em sistemas aquáticos".

O primeiro deles, resultado de projeto de pesquisa financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), baseia-se num estudo que analisou características físicas e bioquímicas da Represa de Itupararanga, no município de Votorantim, e cruzou os dados obtidos com os de imagens de satélite de uso da terra dos arredores do reservatório. "Em sete pontos aleatórios da represa coletamos amostras de água para análise em laboratório, de 12 parâmetros, e, para outros 4 (pH, temperatura, condutividade e oxigênio dissolvido), realizamos a medição "in situ" mesmo", relata o professor Rosa. Para o processamento das imagens utilizamos o software IDRISI 32 e um método de classificação baseado em lógica Fuzzy.

Além do professor André Rosa, coordenador do trabalho, também houve a participação dos docentes Manoel Enrique Guandique, Marcela P. Peçanha, Roberto Lourenço e Viviane Carlos, da UNESP Sorocaba, além do professor Nobel Penteado, da Universidade de Sorocaba (UNISO). Também participaram os bolsistas (PIBIC/CNPq e CNPq) Ângelo Juste e Silva, Bruno Rocha, João Moretti, João Gilberto Duarte e Samuel Barsanelli Costa, todos alunos da engenharia ambiental.

Segundo o pesquisador, embora a qualidade da água ainda seja considerada boa, verificaram-se alterações nos parâmetros da qualidade. Os valores de coliformes totais e fósforo, por exemplo, mostraram-se acima dos padrões estabelecidos pela legislação. "Constatamos que amostras de áreas próximas às fontes dos dois principais rios que alimentam o reservatório, localizadas próximas à área urbana, apresentaram para alguns parâmetros, valores acima da média, como turbidez, demanda química de oxigênio (DQO), coliforme fecal e concentração de nitrogênio e fósforo, e, para outros, valores abaixo, como oxigênio dissolvido (OD)".

Os resultados indicam que os principais problemas ambientais na área estudada estão relacionados ao uso da terra no entorno da represa. "Ao final do projeto, esperamos que os resultados obtidos sirvam como base para ações de planejamento voltadas à redução da degradação ambiental e à gerência integrada deste importante reservatório", ressalta o pesquisador.

O segundo artigo que Rosa apresentará, fruto de uma parceria entre os departamentos de Engenharia Ambiental da UNESP Sorocaba, de Geologia Aplicada da UNESP de Rio Claro e do Instituto Nacional da Amazônia, baseia-se num estudo que avaliou a poluição do solo em uma área de 572 km² do litoral sul de São Paulo, combinando geoestatística com lógica Fuzzy. O estudo mostrou que as principais fontes de poluição de metais estavam próximas às áreas com atividades industriais de petroquímica e de fertilizante. Para o coordenador deste estudo, o professor Roberto Wagner Lourenço, "a união da geoestatística com a lógica Fuzzy gerou resultados que dão uma visão privilegiada da avaliação de risco da poluição ambiental na área estudada".

Já o terceiro trabalho, realizado com financiamento da FAPESP, propõe uma nova metodologia para avaliação da contaminação de metais em sistemas aquáticos, que permite avaliar de forma mais realística a toxidez de espécies metálicas. "Atualmente, para a avaliação de espécies metálicas em mananciais têm sido consideradas apenas as concentrações de metais total e dissolvido, não levando em consideração a labilidade (reatividade) das espécies metálicas". Assim, diz o professor Rosa, o novo procedimento analítico desenvolvido poderá contribuir para aprimorar o monitoramento e a avaliação da qualidade de águas superficiais. Também participam neste trabalho as alunas de Doutorado Danielle Goveia e Fabiana Lobo, bolsistas do CNPq, IQ-UNESP, e o docente. Leonardo Fraceto, também da UNESP Sorocaba.

Fonte: UNESP